Violência urbana no Brasil

Enviada em 05/10/2021

Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno” por denunciar, de maneira ácida, os problemas que assolavam o século XVII. Sob esse viés, talvez, hodiernamente, ao se deparar com a violência urbana no território brasileiro, o autor produziria críticas a respeito, uma vez que essa realidade reflete o caos e a desordem existente no meio coletivo, assim evidenciando uma grave mazela que precisa ser extinguida, pois ela deturpa a harmonia comunitária, além de revelar um caráter pessimista e aflitivo da sociedade. Portanto, é mister assentir que a desigualdade social, adjunto ao descaso do Governo, são os responsáveis ​​pela cristalização do revés.

Em primeira instância, é fulcral anuir que a violência urbana no Brasil é motivada pela desigualdade social, haja vista que, essa disparidade é a causa para diversos indivíduos vivenciarem a pobreza e ficarem vulneráveis ​​à situações précarias, as quais afetam negativamente a sua qualidade de vida. Dessa forma, as pessoas acometidas por essa realidade abjeta, ficam indignadas e para externalizar sua revolta com o cenário vigente, realizam atos violentos em locais públicos, sendo o centro urbano o epicentro desse imbróglio. Nesse contexto, a frustação coletiva junto a carência de atos solidários são razões para o progresso da adversidade, logo é notório a semelhança entre o panorama atual e a “Modernidade Líquida”, conceito criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, para definir uma sociedade, a qual suas principais características são a escassez de empatia e superficialidade das relações.

Em segunda análise, urge ratiticar que o poder público se torna responsável pelo cenário excruciante, tendo em vista que, ao não se mobilizar para combater o empecilho, ele se tornou complacente. Dessa maneira, contribuindo para o avanço dessa problemática na sociedade, ignorando sua obrigação com o povo brasileiro de garantir o bem-estar coletivo. Sob essa óptica, impende atribuir ao Estado o conceito de “Instituiçãco Zumbi”, o qual foi criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, para definir as instituições que não cumprem com suas funções e, no entanto, mantém sua forma. Ademais, há uma violação à Constituição de 1988, em razão da clara desigualdade presente no corpo social, pois ela acaba comprometendo os direitos prometidos, afetando desfavoravelmente a vida das pessoas.

Dessarte, para evitar um cenário semelhante ao do século XVII, o qual era vítima das críticas de Gregório de Matos, far-se-á que o Governo, enquanto a instância máxima da administração executiva, promova ações sociais, as quais visem diminuir a desigualdade social, a fim de atenuar a probreza e, consequentemente, a violência urbana no Brasil, fornecendo ajuda financeira aos indivíduos e os inserindo no mercado de trabalho, por meio de parcerias com ONG’s e outras empresas. Desse modo, garantindo a harmonia coletiva e erradicando essa mazela que acomete a população.