Violência urbana no Brasil
Enviada em 15/10/2019
O filme “Coringa” retrata a vida de Arthur Fleck, o qual passa a propagar a crueldade após perder o emprego. No decorrer da narrativa, a hostilidade é legitimada ao atuar como vingança. Fora da ficção, o Brasil culmina para tal cenário brutal, uma vez que a violência urbana é desencadeada pela desigualdade social que perfaz o país, além de não haver eficácia nas políticas públicas de combate a criminalidade. Convém, portanto, analisar de forma crítica essa problemática.
Em primeiro âmbito, o romance “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, aborda o panorama de jovens que vivem às margens da sociedade e praticam atos ilícitos para garantir a sobrevivência. Nesse contexto, indivíduos de níveis econômicos inferiores são aliciados por chefes do crime e associam a violência como solução que modificará o patamar social em que estão inseridos. Por conseguinte, há a evasão escolar daqueles que escolhem praticar atrocidades, o que acarretará em empecilhos no âmbito laboral, pois não terão o conhecimento exigido pelo mercado de trabalho. De acordo com a Teoria do Rótulo,criada pela Escola de Chicago, há na sociedade indivíduos “rotulados” que já nascem propensos ao crime devido ao meio em que vivem, comprovando que a periferia é mais vulnerável à violência.
Paralelo a isso, no filme Tropa de Elite, um grupo de policiais aceita propina para não fiscalizar áreas que são menosprezadas pela sociedade devido ao preconceito cristalizado. Sob esse viés, é perceptível que agentes que tem a função de erradicar a violência em todos os locais fraudam o sistema criminal , visto que mediante ao suborno áreas nobres são patrulhadas enquanto as periféricas não. Tal fato é reforçado pelo sensacionalismo difundido pela mídia, a qual cria distinção entre denúncias realizadas nas regiões urbanas, favorecendo essa. Ademais, segundo a Anistia Internacional, 60 % das acusações de corrupção de policiais são feitas por favelas, sendo que somente 20% dessas são investigadas.
Enfim, com o intuito de que a brutalidade do filme “Coringa” deixe de representar a realidade brasileira, convém adotar medidas. A priori, urge que as escolas, em parceria com o Ministério da Educação, por meio de aulas lúdicas e que envolvam trabalhos em grupos, promovam debates de obras literárias que introduzam um pensamento crítico a respeito das consequências da violência. A posteriori, visar - se - á obter cidadãos que valorizam a educação em detrimento do crime e que vão de acordo com os valores morais e éticos impostos pela nação. Somente assim, haverá uma sociedade mais pacífica e coesa.