Violência urbana no Brasil
Enviada em 13/10/2019
Na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, o personagem principal presencia a cena de “um preto que vergalhava outro”, nas palavras do autor: a violência que era transmitida do passado por um escravo liberto. Não obstante, no final do capítulo 68, Brás Cubas menciona que o escravo liberto tinha a violência inerente a ele. Contudo, o fato referido é reflexo da violência hodierna, quando o homem racista e o Estado letárgico pioram as condições de violência urbana no Brasil.
Primeiramente, é indubitável que a violência urbana tem suas raízes históricas e socioculturais. Aliado a isso, o Atlas da Violência evidenciou que, em 2016, 60 mil homicídios foram cometidos em um ano e que 71,5% deles são retrato do racismo. Ainda sob esse ângulo, a conjuntura da problemática é mais impetuosa em negros e confirma a tese machadiana de que o homem é corrompido e com ausência de princípios, uma vez que a violência persiste pela condição de cor da população.
Nesse contexto, o Poder Público assume um caráter inerte quando ignora os dados cruéis da violência. Atrelado a isso, vale destacar a morte do adolescente Marcos Vinicius, de 14 anos, que morreu baleado, no Complexo da Maré, durante uma operação das forças de segurança. Com efeito, uma operação de segurança que tem cunho homicida resguarda quem? É tácito que a repreensão errada não inibe a violência, só piora.
Portanto, medidas governamentais devem ser efetivadas. A campanha “Segurança Urbana, um bem de todos” deveria funcionar de modo prático, em que o Poder Público, juntamente com o Ministério da Segurança Pública, poderiam planejar novas maneiras de combater a violência urbana. Primordialmente, policiais deveriam ir nas casas, onde ocorre operações de segurança, para perguntar como melhorar atuação policial para as pessoas que convivem com a violência e assim assegurar que não tenha mais vítimas como o Marcos Vinicius. Ademais, é necessário que o Poder Público investigue casos de racismo relacionados com homicídios, para providenciar medidas mais eficazes contra o preconceito racial.