Violência urbana no Brasil
Enviada em 25/09/2019
No filme “ Batman: O Cavaleiro da Trevas”, é retratada a cidade de Gotham, local que vive um processo análogo à barbárie, com ondas extensivas de crimes, em que o estado não consegue combater a violência de maneira efetiva. Nesse contexto, surge o Batman, um rico empresário, que, tomado por um sentimento de revolta em relação à impunidade tenta combater o crime com as próprias mãos. Fora da ficção, o Brasil demonstra locais semelhantes à cidade de Gotham, em que o estado falha nas atitudes para combater a violência e os aspectos culturais favorecem a manutenção desse caos.
Em primeiro lugar, é válido destacar o erro do estado brasileiro em assumir como o principal método de combate a violência atitudes assintomáticas, como as prisões. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo Michael Foucault: As penitenciárias tornam-se espaços criminógenos, ou seja, ao invés de cumprir o papel de ressocializar os detentos, transforma-se uma espécie de “Universidade do crime”, em que as facções criminosas utilizam-nas para recrutar novos participantes. Ademais, a burocracia brasileira é falha em relação à demora para julgar os casos e no grau de punição aos crimes, o que cria um sentimento de impunidade e desconfiança no Estado.
Por conseguinte, essa grande descrença no estado, somada à uma influência cultural de incentivo à violência, resulta no aumento da descivilização. De acordo com o sociólogo Norbert Elias, a civilização é o processo de construção dos valores e da cultura da humanidade, entretanto, a descivilização é a quebra dessas características e a formação de um processo de caos. Nesse contexto, a intensa presença de violência no cotidiano, instituída por uma guerra entre criminosos, milicianos e policiais, associada ao intenso contato dos jovens, principalmente os que vivem em condições de vulnerabilidade econômica, à essa realidade, resulta na formação de uma cultura baseada no crime, o que intensifica o estado de barbárie. Nesse sentido, é necessário a existência medidas efetivas para modificar essa descivilização.
Fica claro, portanto, a necessidade do Estado tomar medidas profiláticas efetivas para reverter esse quadro. Desse modo, o Ministério da Educação deve empregar esforços no sentido de criar uma escola em tempo integral, na qual as atividades tenham conexão com a realidade desses jovens e sejam desenvolvidas com metodologias práticas, para demonstrar valores importantes na vida em sociedade e impedir um contato maior com influências culturais negativas. Assim, esses alunos serão afastados da influência da violência e o estado terá maior facilidade em lidar com os problemas presentes nas prisões e nas questões legais, sendo possível afastar o Brasil da ficção apresentada no filme. anteriormente.