Violência urbana no Brasil

Enviada em 27/09/2019

O célebre líder eclesiástico da Igreja Católica João Paulo II, afirmava em suas oratórias que a violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida e a liberdade do ser humano. No contexto brasileiro, consequentemente, essa ideia é comprovada quando se observa os altos índices de violência urbana e de repressão policial nas favelas. Essa realidade, é fruto das fracassadas políticas públicas de segurança e guerra às drogas, além das inoperantes lideranças políticas frente os lobbies corporativos.

Nesse sentido, é fato que a fracassada política de guerra às drogas impõe um grave aumento da repressão policial e da marginalização dos jovens mais pobres. Essa realidade evidencia que os métodos usados pelo Estado no combate à criminalidade se mostram mais prejudiciais do que benéficos para a população. Prova disso, por exemplo, são os dados do Observatório da Intervenção no Rio de Janeiro que, após a militarização da região, apontou para o crescimento de assassinatos, roubos e balas perdidas no estado. Isso por si só já revela que, em uma economia complexa, no qual o controle federal de drogas e armas ilegais é altamente ineficaz,  políticas de repressão e encarceramento em massa contribui para o fortalecimento do crime organizado, que surge como uma força violenta e coercitiva paralela ao Estado.

Por outro lado, o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre afirmava que a violência, seja qual for a maneira como se manisfesta, é sempre uma derrota. Justo por isso, a militarização policial e a insegurança jurídica são os principais fatores do desordenamento da segurança pública. Por um lado, lideranças políticas incompetentes, despreocupadas com o bem coletivo e ligados ao lobbies corporativistas obstruem a adoção de medidas inteligente de combate ao crime organizado, por outro, todos tornam-se reféns das consequências das desigualdades. A solução, portanto, caminha para a reformulação das políticas de segurança pública e adoção métodos eficazes de combate às drogas.

Para isso, a princípio, é importante que o poder legislativo brasileiro atue com projetos de descriminalização de algumas drogas para o redirecionamento das forças policiais para áreas de real perigo aos cidadãos afim de desestabilizar o tráfico e retirar o poder econômico do crime organizado. Ao mesmo tempo, é crucial que o poder executivo defenda uma postura de desmilitarização policial, de enfrentamento dentro de poder público dos lobbies corporativos e de correntes de opinião reacionárias, além de direcionar investimentos para a modernização do setor. Assim, com cidadania e liberdade a dignidade dos cidadãos seja verdadeiramente assegurada.