Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 21/09/2020

Não é de hoje que a violência policial é debatida. Cada vez mais as pessoas estão indignadas como o formato da atuação policial, que do ponto de vista estrutural fomenta uma ação violenta. A questão é que, o que foi pensado para passar segurança à população está sendo usado para o oposto. Esse sentimento vem principalmente das pessoas que mais necessitavam desse apoio, as classes econômicas mais baixas, que em sua maioria é composta por negros.

Alguns estudos desenvolvidos pelo cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, da USP, demonstram que as práticas policiais de natureza autoritária são práticas que têm acontecido independente do regime político. Isso se deve, segundo a análise de Pinheiro, a uma continuidade de práticas utilizadas no regime autoritário que a transição política não conseguiu extinguir. Esta continuidade, entretanto, possibilitou a adequação de práticas autoritárias dentro de um governo democrático, gerando com isso a existência de um “regime de exceção paralelo”.

De acordo com a Anistia Internacional, entre 1999 e 2004, as polícias do Rio de Janeiro e de São Paulo mataram quase 10 mil pessoas em situações descritas como “resistência à prisão seguida de morte”. E baseado em dados expostos pelo G1, ao menos 3.148 pessoas foram mortas por policiais no primeiro semestre de 2020. O número é 7% mais alto que o registrado no mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 2.934 mortes.

É importante ressaltar que entre essas pessoas estão trabalhadores, crianças, mulheres e idosos. Pessoas que muitas vezes não tem envolvimento algum com o crime. Entende-se portanto, que há abuso de poder por parte desses policiais e que é preciso mudar esse sistema problemático o mais rápido possível.

Para isso, é necessário que além da divulgação desses caso na mídia, haja uma ação do governo. O ministério da justiça e segurança pública, por meio de leis, poderia promover uma drástica mudança na polícia brasileira, de forma que fossem revistas as fichas de todos e aqueles que cometeram algum ato contra um inocente fosse imediatamente afastado. Assim poderia se renovar e talvez se reestabelecer a confiança entre policial e cidadão.