Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 06/08/2020
A obra cinematográfica “Corra!”, de Jordan Peele, aborda o terror psicológico do racismo vivenciado por um jovem negro durante um final de semana na casa dos pais de sua namorada branca. Ao longo da trama, evidencia-se o preconceito velado da família branca exercido por atitudes leves que insinuavam a dominação racial, como a objetificação abusiva do negro e discursos preconceituosos. Paralelo à ficção, nota-se, no mundo hodierno, um crescente debate sobre o racismo causado pelo assassinato de George Floyd, um americano negro, morto por um policial branco. Entretanto, deve-se analisar a questão e suas consequências aos indivíduos.
Todavia, o assassinato de Floyd foi um estopim para um gigantesco debate sobre racismo, preconceito e violência policial contra negros. As vítimas de crimes como o de Floyd sofrem constantes agressões verbais, psicológicas, morais e físicas durante toda sua vida por conta de ações racistas e, em alguns casos, essas ações são realizadas por policiais, os quais deveriam zelar pela integridade física e moral de todo indivíduo.
Nesse sentido, é necessário evidenciar uma desigualdade histórica que afeta a vida da maioria dos negros até os dias hodiernos: o descaso do Estado na melhora de vida dos negros após a abolição da escravidão, isso ocorreu pois a oligarquia, escravocrata e descontente com a abolição, apoiou um golpe que derrubou o Governo Imperial e instituiu uma república, a qual empreendeu projetos higienistas e urbanistas que marginalizaram a população negra nas periferias. Dessa forma, a falta de oportunidades sociais gerou uma desigualdade que prejudica a população negra até os dias de hoje pois cerca de 75% dos mais pobres são pardos ou negros, segundo o IBGE, essa desigualdade gera um aumento da violência urbana.
Nessa perspectiva, a desigualdade tem grande influência na probabilidade de ocorrência de racismo e é evidenciada quando, segundo pesquisa realizada pelo jornal G1 após o caso de Floyd, 94% dos brasileiros reconhecem que pessoas negras têm mais chances de serem abordadas de forma violenta e mortas pela polícia. Isso pode ser explicado pela Necropolítica, um conceito que questiona os limites da soberania quando o Estado escolhe quem deve viver e quem deve morrer, onde o Estado tenta eliminar, através de políticas de segurança, pessoas marginalizadas.
Destarte, é notória a necessidade de juízo moral sobre racismo contra a população negra. Portanto, cabe ao Estado promover debates, palestras em escolas e locais diversos, ambos de âmbito público e privado, sobre a prevenção e conscientização do preconceito racial e diminuição da desigualdade, tendo como finalidade a prevenção de novos casos racistas como o de Floyd.