Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 03/07/2020

A brutalidade do uso excessivo da força policial contra negros é corriqueira nos países do continente americano, sobretudo nos Estados Unidos e no Brasil. Diante de casos que chocaram ambos os países, pode ser citado o recente ocorrido com o americano George Floyd, que foi asfixiado até a morte por um policial branco e o ocorrido com o jovem João Pedro, na cidade de São Gonçalo, que foi alvejado por um tiro em sua residência. Podemos observar que, diante da população carcerária do Brasil e dos Estados Unidos, existe um padrão racial para os prisioneiros, em sua maioria de cor negra.

Um relatório da Anistia Internacional, apontou em 2015 que as forças policiais brasileiras são as que mais matam no mundo. De maneira geral, são homicídios de pessoas já rendidas e alvejadas sem qualquer aviso prévio. Em 2014, 15,6% dos homicídios registrados no Brasil tinham como autor um policial no País. A maioria das pessoas mortas por policiais são jovens e negros, no Rio de Janeiro, 99,5% das pessoas assassinadas por policiais entre 2010 e 2013 eram homens, 80% negros e 75% tinham idades entre 15 e 29 anos e grande parte dos autores dos disparos não foram punidos.

Após abordagem policial realizada em maio do corrente ano, o norte-americano George Floyd, foi morto por asfixia, em mais um caso de violência policial contra pessoas negras. Em vídeo feito por uma testemunha, o policial sufoca George por 8 minutos, e não para, mesmo com George suplicando que não conseguia respirar. O ocorrido gerou comoção em todos os Estados Unidos, além de iniciar uma onda de protestos que parece não ter fim, onde prédios já foram queimados e ocorreu uma tentativa de invasão a casa branca.

Os períodos de escravidão no Brasil e nos Estados Unidos contribuíram para a violência policial que ocorre hoje em ambos os países. É possível observar os períodos históricos e entender o vivenciado nos dias de hoje, pois o estado oprime e segrega pessoas de cor negra há séculos. Desse modo, o Estado brasileiro ao tentar embranquecer a população, entendia que os brancos eram superiores, em razão de um pensamento eugenista que acontecia naquela época. Nos Estados Unidos, a criação de uma organização que assassinava, torturava e destruía a cultura negra, demonstra que a sociedade americana se recusava a tratar negros como seres humanos.Assim, a violência policial observada hoje é o reflexo dos erros do passado, onde ambos os países reprimem até hoje pessoas negras, de modo que o racismo se tornou institucionalizado, onde as instituições estatais naturalmente segregam os afrodescendentes. Os casos expostos não são os primeiros, só foram filmados e enquanto a política de encarceramento não parar de olhar para a juventude negra, não vão ser os últimos.