Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 02/07/2020

A violência, em qualquer forma de manifestação, é uma derrota. Tal frase do filósofo Immanuel Kant evidencia a problemática da brutalidade policial. Após o caso de George Floyd repercurtir no mundo todo, reconheceu-se as semelhanças deste com o assassinato de João Pedro de quatorze anos no Rio de Janeiro, ambos mortos por policiais sem nenhum motivo, senão o preconceito. A situação traz inúmeros prejuízos sociais, que vão desde a exclusão e discriminação, até o assassinato sem razão plausível. Mostra-se assim a necessidade de uma discussão.

É interessante observar que, as forças policiais brasileiras realizam muitas ações em função das classes mais altas, composta em sua maioria, por brancos que associam a imagem do negro ao tráfico e a criminalidade dos bairros pobres. Essa situação se deve ao fato de que ao libertar os negros da escravidão, o país não criou nenhuma política para inserí-los na sociedade, de forma que lhes restou a prostituição e marginalização. Sendo assim, construiu-se um racismo estrutural não só pela população, mas principalmente pela polícia. Cerca de 75% das vítimas de violência policial no Brasil são negras, segundo a professora de serviço social Yanilda Maria, mostrando-se assim, que, de forma irônica, o órgão que deveria proteger os cidadãos da violência, a perpetua de forma racista.

Consequentemente, observamos um ambiente onde as diferenças e divisões sociais falam mais alto do que a obrigação policial de tratar todos com igualdade, fazendo com que a população negra viva em constante medo e alerta. Ademais, percebe-se que os órgãos políticos e policiais permanecem em silêncio a respeito da repercussão e dos protestos populares sobre violência.Tal situação demonstra que há receio dos mesmos em falar sobre o assunto e instigar investigações que possam comprometer mais ainda a imagem dos policiais. Como dito pelo filósofo cientista Albert Einsten: “É mais fácil desintegrar um átomo do que o preconceito”, demonstrando assim, que, ainda há muita resistência para mudanças e correções no sistema.

Diante do exposto, portanto, é necessário que o Ministério da Justiça e segurança investigue os supostos casos de assassinato intencional por policiais, e aplique penas condizentes com os fatos. Cabe também, ao governo brasileiro, aprovar o inquérito da ONU que defende a investigação da brutalidade policial nos EUA e no resto do mundo. A sociedade, por sua vez, deve garantir o funcionamento de tais medidas através do apoio ao movimento negro, e mantendo a indignação e revolta popular a fim de pressionar os governantes. Por fim, a mídia se responsabiliza de realizar campanhas antiracistas e disseminar os protestos ocorridos no mundo todo. Dessa forma, contrariar-se-ão as palavras de Kant em nossa sociedade.