Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 01/07/2020
A violência policial contra afro-descendentes é um dos principais vestígios do racismo histórico que assola a sociedade. No Brasil, a colonização portuguesa foi marcada pela escravidão brutal e pelo desrespeito às outras etnias, o que acarretou a morte de milhares de escravos, como retratado no documentário Guerras do Brasil, disponível na plataforma de vídeos Netflix. Atualmente, a realidade da população negra não é muito diferente: entre 2007 e 2017, quatrocentos mil afro-brasileiros foram mortos. Portanto, deve-se questionar os motivos pelos quais, ainda hoje, tais atos violentos persistem e o porquê de isso acontecer em uma sociedade, majoritariamente, formada por negros.
No Brasil Colônia, os africanos eram vistos como uma raça inferior e impura, pensamento que normalizava a escravidão, a violência e que acentuou a desigualdade ao longo dos anos. A formação das favelas e guetos foi umas das consequências desse passado excludente, que contribui - até hoje - na polarização da sociedade brasileira. As favelas - hegemonicamente habitadas por negros - são vistas de forma marginalizada, tornando-se os principais alvos da repressão policial. De acordo com dados oficiais do governo São Paulo, a cada dezesseis horas um negro é morto pela Polícia Militar em comunidades paulistas. Nesse contexto, a inobservância e conivência do Ministério da Segurança Pública fica evidente. A instituição, que deveria promover a segurança pública em todo país, ignora o extermínio do povo negro, reforçando a marginalização dessa parcela da população.
Além disso, é importante ressaltar que os negros e pardos constituem mais da metade dos brasileiros, sendo esses, também, os mais vitimizados no país. Nesse cenário, o conhecimento acerca da cultura africana se mostra crucial para a superação do racismo e da violência vigente. Compreender suas lutas históricas, assim como a afrodescendência do povo brasileiro é o primeiro passo para alcançar uma sociedade mais igualitária, onde todos têm o direito à segurança pública.
Portanto, para que a problemática da violência policial contra afro-brasileiros seja superada, o Ministério da Segurança Pública deve decretar o fim das operações policiais nas favelas, local de maior incidência de mortes, direcionando as investigações ao tráfico internacional de drogas e armas. Deve-se, também, reforçar as leis que visam punir a má conduta policial, diminuindo a impunidade na corporação. Para além, é de suma importância combater o racismo através do conhecimento. Dessa forma, o Ministério da Educação deve propor aulas de cultura africana em todas as escolas brasileiras, sendo essas ministradas por professores negros. Além de disseminar o conhecimento, o governo estaria, também, oferecendo emprego para essa parcela da população que, muitas vezes, tem esse direito negado.