Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 05/07/2020

A abolição da escravatura no mundo foi um processo que se iniciou em 1761, em Portugal, e terminou somente em 1888, no Brasil. Ao contrário do que era esperado, a libertação dos negros não significou uma grande mudança social, uma vez a inclusão do papel de cidadão da população negra nunca foi efetivada. Além disso, a supremacia branca e o forte carácter autoritário dos países, principalmente Brasil e Estados Unidos, levaram a intensa violência policial contra negros. Por motivos de ausência da proibição da superioridade branca, associada ao abuso de poder, e a relativização, juntamente do esquecimento público, dos casos criminais, a brutalidade sofrida pela raça mais desprivilegiada do corpo social, por meio dos agentes de segurança, não está com indícios que terá melhoras.

Como supracitado, a idealização vinda da cultura europeia colonizadora, a qual os indivíduos da raça branca são superiores, continua sendo uma realidade nos países. Desde o século XIX, com a teoria de branqueamento da população - em virtude da “falta de inteligência dos negros”- essa raça é categorizada como inferior e causadora de perigo. Atualmente, discursos como o do deputado Daniel Silveira, cuja fala afirma a relação negro e bandido, apenas fortificam a agressividade do poderio militar. Além do mais, uma sociedade que apresenta um índice de 75% dos mortos por policiais são pessoas negras, conforme o G1, demonstra o medo que a autoridade gera em toda a comunidade negra.

Outrossim, é inquestionável como os crimes racistas apenas são ignorados depois de um tempo, ou nem divulgados. Com início em 1997, os Racionais – na música “Capitulo 4 Versículo 3”- reivindicam a banalização com os assassinatos injustos ocorridos contra a população negra, com a menção de que 60% dos jovens da periferia já sofreram violência policial, dados confirmados pela BBC 2018. Para mais, é importante ressaltar como a ocultação desses casos é real, visto que o caso da Claudia Ferreira, uma mulher que foi brutalmente assassinada por policiais e arrastada pela rua, com imagens como prova - reportado em 2014 pelo O Globo-, até hoje não apresenta um culpado preso. Ou, também, um jovem de 17 anos que foi morto (informação da BBC), em 2012 na Florida, a tiros por estar em um condomínio fechado, também não foi justamente defendido. Conclui-se que, com o passar dos dias, esses casos ficarão cada vez mais no silêncio.

Nesse contexto, medidas são necessárias para amenizar o impasse. Todavia, não haverá melhoras caso o Congresso Nacional não declare a proibição de qualquer ato supremacista, com relação a abuso de poder, por meio de uma legislação como crime inafiançável. Ademais, a mídia precisa relembrar os casos criminais que não foram solucionados, mediante a campanhas publicitária em horários nobres. Somente dessa forma, pode haver uma conscientização de que a sociedade não ficará calada.