Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 02/07/2020

“Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci”. Esse conhecido funk retrata uma triste realidade vivida pela população negra, que, graças ao racismo, não consegue andar de maneira tranquila em espaço algum. Isso se deve, principalmente, pelo maior reflexo dessa forma de preconceito, que vem a ser a violência policial contra os negros no Brasil e no mundo. Por isso, há uma grande urgência de os Estados Nacionais combaterem essa violência que a população negra sofre de pessoas que, na verdade, deveriam estar presentes para protegê-la e, não, violentá-la.

Em primeiro lugar, é possível verificar que a principal causa para essa violência policial direcionada é o racismo segregacionista e a impunibilidade seletiva dos agentes policiais. Por muito tempo, percorreu na sociedade uma falsa crença que aproximava a imagem de pessoas negras a criminosos, fato que, muitas vezes, foi bancada por uma política de Estado. A exemplo disso, o documentário “13ª Emenda” relata como após a abolição da escravidão nos Estados Unidos, os governos criaram, ao longo dos anos, diversas políticas para, propositalmente, gerar o encarceramento em massa dos negros no país. Dessa forma, uma vez que políticas governamentais reiteram o racismo, eles também reforçam a falta de punição aos agentes da lei que cometem atos de violência contra negros.

Por consequência, essa impunibilidade policial faz com que as histórias tornem a se repetir e inocentes paguem um preço injusto. A exemplo disso, no início de 2020, dois casos fatais chamaram a atenção, João Pedro, um garoto negro, morador de uma favela no Rio de Janeiro, foi atingido por uma bala policial dentro de sua casa; e George Floyd, um homem negro que foi sufocado pela polícia nos Estados Unidos. Esses casos demonstram como o ódio, intensificado pelo preconceito, pode aparecer de forma velada na sociedade. Assim, ainda que a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegure o direito de todos à vida, essa política segregacionista, presente historicamente na sociedade, faz com que, cada vez mais, a população negra não consiga usufruir desse direito por completo.

Logo, essa violência policial sofrida pela população negra é inaceitável e existe uma grande urgência de se modificar tal realidade. Com isso, cabe ao Estado, em princípio, realizar um investimento na força policial, de modo a assegurar que esses agentes passem por treinamentos práticos especializados sobre como realizar uma abordagem sem colocar inocentes em risco. Dessa forma, será possível prepará-los a intervir de uma maneira eficiente quando forem abordar pessoas negras, sem permitir que os preconceitos estruturais façam com que uma vida seja perdida. Além disso, a esfera judicial deve realizar a punição devida aos policiais que tiram a vida de pessoas inocentes, para que, por fim, a população negra possa, de fato, andar tranquilamente onde bem desejar.