Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 28/06/2020
Em meados dos anos cinquenta, a norte-americana, negra, Rosa Parks foi presa por se recusar a ceder lugar no transporte público a um homem branco. Este evento deu início a inúmeros protestos nos Estados Unidos, o que finalmente trouxe resposta favorável a igualdade perante à lei entre negros e brancos. Hodiernamente, a violência policial contra negros tem sido amplamente registrada e compartilhada em redes de comunicação pelo Brasil e o mundo, com intuito de confirmar que infelizmente ainda há extrema desigualdade por conta da cor da pele devido fatores históricos segregacionistas repassados dentro da sociedade que causam grande desordem social.
Ainda hoje, é comum que pessoas negras sejam relacionadas à pobreza e a crimes, mesmo que não tenham antecedentes criminais. Segundo pesquisa Gevac, da UFSCar, é possível afirmar que dentre 100 mil habitantes, os casos de assassinato por violência policial vitimiza três vezes mais negros que brancos. Esta constatação mostra que, mesmo que hoje pessoas afrodescendentes tenham conquistado direitos civis, ainda não conseguiram espaço dentro da sociedade, devido fatores fortemente segregacionistas como a imagem vendida pela televisão ao público de pessoas de pele escura sendo representadas com profissões marginalizadas; dentre elas a prostituição e venda de entorpecentes, reforçando o racismo já enraizado.
Além disso, é importante destacar que, como dito antes, o racismo está enraizado na sociedade. Em seu livro Macunaíma, Mário de Andrade descreveu em curtas palavras uma história que era compartilhada nos conventos no Brasil de que os negros não teriam mais água para se banhar no rio “que limparia sua cor” devido o “reconhecimento” da preguiça presente naquele povo, como uma forma de marca, eles só teriam as mãos e os pés mais claros. Esta e outras ideias como a que afrodescendentes não podem ter ascensão social ainda fazem parte da cultura de supremacia branca, o que dá oportunidade a intensificação da violência policial e impunidade. Assim como ocorreu com Rosa Parks, após décadas, a abordagem policial continua sendo violenta e repressiva. Atualmente, outro jovem norte-americano, George Floyd foi asfixiado até a morte por um policial branco que inicialmente não sofreu punição e chocou o mundo pelo tratamento da validade de uma vida negra.
Então, o Poder Legislativo deve instituir leis mais rígidas de punição à crimes relacionados ao preconceito racial, colocando como pena mínima a ser cumprida, por policiais e civis, de um ano em regime semiaberto, trabalhando durante o dia em serviços comunitários e tendo acompanhamento frequente com psicólogos. Em seguida, os programas de TV devem ser reconfigurados em relação ao perfil do negro na sociedade, mostrando ao público que a cor da pele não caracteriza a personalidade.