Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 27/06/2020

A série “Todo mundo odeia o Cris” conta a história de uma família negra dos Estados Unidos, pondo humor na triste realidade dos pais que precisam ensinar seus filhos a se comportar na sociedade para que não sejam confundidos com bandidos pela cor de sua pele. Fora da ficção, é fato que a diversão das telinhas deixa muito a desejar, já que a violência policial contra negros no Brasil e no mundo afeta pessoas de todas as idades baseada em um comportamento histórico de segregação e preconceito. Diante desse retrocesso, causado pela ideia de hierarquia de raças, cabe avaliar os fatores que fazem do combate a violência policial contra negros a base para uma sociedade promissora.

Antes de tudo, deve-se observar que o preconceito evidencia que a polícia não pune apenas ações, mas também a cor. De acordo com dados do Mapa da Violência, das 5.804 pessoas mortas pela polícia brasileira em 2019, 4.353 eram negras. Sendo assim, casos como o do menino João Pedro, de 14 anos, assassinado em sua casa em uma favela do Rio de Janeiro tornam-se cotidianas, normalizando a ação. Logo, interpretar a frase de Carolina Maria de Jesus, que diz que “O negro só é livre quando morre” não é uma tarefa difícil, visto que ser negro é quase considerado um crime perante o policiamento do país.

Ademais, a segregação racial enraizada na sociedade é outro fator preponderante. Durante o Apartheid, regime de separação racial ocorrido na África do Sul, ficou evidente que a elite branca, mesmo no já tão evoluído século XX, acreditava erroneamente que a cor da pele era um fator decisivo para a ascensão social. Infelizmente, o mesmo ainda vem ocorrendo por todo o mundo, mesmo que obscurecido por uma legislação que finge que a igualdade, proposta na Constituição, está sendo seguida rigorosamente. Por conseguinte, pautados na premissa de que a justiça está sendo feita, a população continua a argumentar que cotas raciais e leis especiais são, na verdade formas de “auto preconceito”, esquecendo-se de que são os negros que sofrem diariamente com abordagens desnecessárias vindas daqueles que deveriam das a eles segurança.

Torna-se claro, portanto, que a violência policial deve ser combatida imediatamente. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação, por meio das aulas de ensinos sociais, elaborar projetos de nível fundamental e médio com oficinas de teatro e palestras que mostrem a realidade das dificuldades enfrentadas pela população negra, para que a intolerância e o desrespeito sejam males a serem cortados logo cedo, no intuito de mostrar a população que a cor da pele não revela o caráter. Somente assim, com união e respeito, a violência policial será enfrentada e a confiança entre a segurança pública será retomada entre os cidadãos.