Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 25/06/2020

Homens negros, sobretudo jovens, são as principais vítimas da violência policial no estado de São Paulo, segundo pesquisa do Gevac da UFSCar  lançada oficialmente na quarta-feira (02/04. A análise sobre taxas de 100 mil habitantes indica que a mortalidade de negros é pelo menos três vezes maior que a de brancos. Assista à entrevista da autora da pesquisa, Jacqueline Sinhoretto Entre os anos de 2009 e 2011, 939 casos de ações policiais foram analisados. O resultado aponta que 61% das vítimas de morte por policiais eram negras. No âmbito infanto-juvenil, os dados são mais alarmantes: entre 15 e 19 anos, duas a cada três pessoas mortas pela PM são negras. “Existe um mito que a população negra é maior e por isso os números são automaticamente maiores. Isso não é verdade: no estado de São Paulo, apenas 30% da população é negra”, afirma a coordenadora da pesquisa, Jacqueline Sinhoretto. Mais da metade das vítimas dos casos analisados, 57%, tinha menos de 24 anos quando foram mortas. “Nem as políticas de intervenção nem as de repressão estão sendo tentadas com pessoas tão jovens. A primeira intervenção da Política de Segurança Pública, nesse caso, com pessoas de 12, 14, 16 anos, já tem sido a ação violenta da polícia”, analisa Sinhoretto. O estudo também aponta a existência de “mecanismos de produção da desigualdade racial” dentro das instituições de segurança pública. Devido à discrepância do número de mortos entre negros e brancos, o racismo institucional “está claramente desenhado”, afirma Jacqueline Sinhoretto. Dados sobre prisões em flagrantes também foram analisados, e os resultados demonstram que também há predominância de pessoas negras presas pela polícia. Cerca de 2,5 negros são presos para cada pessoa branca. Segundo a pesquisadora, o racismo institucional é algo presente dentro das corporações. “Existem policiais hoje que trabalham esse tema. Eles identificam e entendem de fato que a política de segurança pública provoca uma distorção nas formas de agir em relação a determinados grupos étnicos". Entretanto, afirma Sinhoretto, essas medidas ainda são muito pequenas e de pouco efeito. “Racismo institucional é uma forma de desenho da política pública que produz resultados diferentes para diferentes camadas sociais, do ponto de vista das características raciais".O estudo destaca que o racismo não envolve os agentes policiais como indivíduos, representando uma resposta às regras tradicionais das próprias instituições responsáveis por garantir a segurança da população. “Não se trata de afirmar que o policial que prendeu uma pessoa é em si racista, e que ele fez uma opção individual por escolher aquela pessoa”, diz Jacqueline. O “racismo” identificado no estudo é construído a partir dessa concepção incorporada das próprias ações públicas. Essas características são passadas de maneira informal.as circunstâncias que essas mortes aconteceram. A grande maioria é arquivado pela corregedoria com pressuposto de que os policiais agiram dentro da lei. “A possibilidade de que esses policiais tenham agido com excesso de força não é sequer apurada, o que indica que há uma conivência das próprias agencias que seriam responsáveis por fazer o controle policial”, afirma a pesquisadora. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que irá avaliar os dados do estudo para decidir se as políticas públicas de segurança poderão ser melhoradas. No último dia 26 de março, durante a inauguração de um parque tecnológico em Ribeirão Preto, o governador Geraldo Alckmin afirmou desconhecer qualquer tipo de atitude discriminatória nas ações efetuadas pela polícia paulista.