Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 23/06/2020
Em 1950, durante o Apartheid na África do Sul, houve o massacre de Sharperville no qual 67 negros foram mortos por policiais em uma manifestação contra a segregação racial. Tal evento é uma prova, entre tantas, mais que suficiente para mostrar que o racismo estrutural no Brasil e no mundo gera muito mais problemas do que simplesmente “por o indivíduo á margem da sociedade”. Sendo assim, a violência policial tem uma base na diferença entre classes sociais e a espetacularização da violência.
Em primeiro plano, segundo o sociólogo português Boavista de Sousa Santos, existem as “zonas civilizadas” (Composta por pessoas de alta classe social, onde o Estado age como Protetor) e as “zonas selvagens” (Pessoas que vivem à margem da sociedade, onde o Estado age como Predador), essa divisão cartográfica mostra como pode ser feita a análise do diferente modo como as forças policiais agem nas duas zonas. Prova disso são, por exemplo, as ações violentas da polícia em favelas, que é estampada quase que diariamente em jornais e revistas de notícias. Entretanto, em bairros nobres o cenário é diferente, pois o Estado, agora Protetor, procura manter essa alta classe segura da porção marginalizada da sociedade. Dessa forma, uma minoria numérica com, geralmente, brancos de classe média alta que possui mais amparos em relação às pessoas negras de classe baixa, tem semelhança com um fato histórico como o Apartheid.
Em segundo plano, o Coliseu, um ícone histórico, foi palco de grandes atos violentos os quais foram assistidos por mais de 50 mil pessoas na Roma Antiga. Baseado nesse marco da história, é certo que desde a antiguidade a violência possui uma legitimidade social, pois a grande quantidade de pessoas que apoiam ou se ausentam na discussão de tais atos acaba por incentivar esse comportamento ignóbil. Sendo assim, contextualizando em tempos atuais, a ação violenta de alguns policiais contra negros é reflexo de anos praticando a banalização dessa problemática em veículos midiáticos, pois as barbáries cometidas são apenas expostas, porém nunca realmente questionadas.
Portanto, nota-se que a violência policial não é apenas um problema do Estado, mas também uma responsabilidade social. A fim de diminuir o número de vítimas do racismos estrutural no Brasil, o Estado e órgãos responsáveis devem reavaliar o as abordagens feitas pelas Forças Policiais, por meio de fiscalizações em relação ao cumprimento dos Direitos Humanos, visto que é um direito de todos independente de cor, raça, sexo ou etnia, como aponta a Constituição de 1988. Ademais, a sociedade deve reagir de forma negativa aos atos violentos por parte dos policiais, pois assim irá desmotivar a sua permanência.