Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 22/06/2020

O filme “Tropa de Elite” retrata fielmente o tratamento extremamente agressivo da polícia quanto a adolescentes que possuem envolvimento com drogas; o protagonista Capitão Nascimento declara, “bandido bom é bandido morto” e é aplaudido pela morte de alguns presos. Entretanto, a realidade atual é bastante semelhante à ficção ao apresentar a violência policial contra a sociedade negra. A partir disso, é necessário analisar as forças policiais que agem em função de hierarquias sociais classistas e a branquitude enraizada na sociedade.

É válido ressaltar, a princípio, que a continuidade da agressão policial contra negros se deve, principalmente, à branquitude: um sistema de valores e comportamentos que torna o branco como “modelo universal de humanidade”, fazendo com que grande parte das pessoas brancas não consiga enxergar o sofrimento da população negra que enfrentam discriminação étnico-racial.  Análogo a isso, uma série de atos de violência policial à essa minoria foram vivenciados e repercutidos, em esfera mundial, nos últimos dias. O caso mais recente expõe a morte do afro-americano George Floyd, cidadão morto por um policial branco, acusado de usar uma nota falsificada.  Assim, casos como este tornam-se significativos para discutir o racismo em um nível global.

Nesse contexto, vale lembrar que parte do corpo social ainda se encontra submetido ao racismo estrutural e classista. Tem-se como prova dessa realidade, estatísticas apresentadas pela professora Yanilda Maria Gonzáles, da Escola de Serviço Social da Universidade de Chicago, que aponta: nos Estados Unidos, 13% da população é negra, mas 25% são vítimas assassinadas pela polícia; no Brasil, as pessoas negras são mais da metade da população, mas 75% são vítimas de agressão policial. Assim, torna-se necessário mudanças que cessem forças policiais que agem em função de hierarquias sociais racistas e classistas, reproduzindo desigualdades na sua atuação.

Portanto, é necessário que o poder público, representado pela figura do Estado, busque supervisionar, através de órgãos qualificados, decretos com o compromisso de proibir e eliminar a desigualdade na atuação policial contra os negros – haja vista que a partir disso a repressão e o possível genocídio desta classe sejam diminuídos – assim, deter de um processo igualitário sem agir em função de hierarquias sociais. Ademais, vale propor uma luta antirracista, por meio de palestras e passeatas, que evidencie a história de sofrimento dessa minoria e que permita enfrentar a discriminação étnico-racial. Assim, haverá denúncias e cessará o tratamento agressivo da polícia, como exposto na ficção “Tropa de Elite”.