Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 21/06/2020

No filme estadunidense “Pantera Negra”, todos os personagens principais do longa moram no país Wakanda, onde a população é majoritariamente preta e no qual os habitantes possuem uma vida de qualidade, de liberdade, de fraternidade, mas principalmente uma vida com segurança. Tal segurança, apesar de ser um direito constitucional, não é assegurada para a população preta no Brasil, já que a polícia, ao invés de assegurar esse direito, faz um desserviço a essa parcela da população, que além de sofrer da violência policial, é alvo constante do racismo institucional que desagrega em qualidade de vida a esses indivíduos.

Desde o surgimento da filosofia, na Grécia Antiga, todos os serviços que faziam uso do trabalho braçal ou que remetiam a este tipo de trabalho, eram vistos de maneira inferiorizada pelos cidadãos gregos. Apesar de que tanto tempo tenha passado, essa relação de inferiorização ainda existe. Porém, os indivíduos que a sofrem mudou. Porquanto, segundo pesquisa divulgada no jornal Estado de Minas, evidenciou-se que a taxa de desemprego permanece maior entre negros e pardos, que também têm salários mais baixos e posições socialmente inferiorizadas. Assim, esses dados são resultado da forma como o mercado se estrutura em função das questões de raça e cor. Como resultado, o racismo é um componente da estruturação do mercado de trabalho. Pois, sob qualquer aspecto que se observe, a raça pesa, é um condicionante que influencia o lugar do negro nos postos de trabalho.

Ademais, no Brasil Imperial, em um momento no qual a discussão sobre a reforma agrária estava em alta, o Senado do Império do Brasil aprovava a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão. Dessa forma, o projeto de distribuição de terras foi ignorado. Todavia, ainda na atualidade não houve compensação ou alternativa para os libertos se inserirem no novo Brasil livre e abandonados, os ex-escravos, marginalizados em locais sem nenhuma estrutura, foram se desenvolvendo sem importância social e estatal, sem dignidade e sem perspectiva de melhoria de vida. Essa situação de vulnerabilidade social, de morte banal, por motivos torpes, vai tomando uma configuração mais ampla em que o negro é reiteradamente vítima de crimes e revelam uma relação banal com a vida da vítima.

Em resumo, é notável que a violência contra negros está intrinsecamente ligada ao racismo. Portanto, é preciso que o Governo amplie e torne as cotas para pessoas negras um direito constitucional, reservando vagas em vestibulares, concursos e até em eleições, para que o acesso aos programas de ensino superior e cargos públicos seja incentivado. Além disso, é necessário que medidas punitivas sejam efetivamente empregadas policiais autores de violência, pela Corregedoria e Ministério Público, visando diminuir e reeducar os policiais infratores e garantindo dignidade aos negros.