Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 21/06/2020

A violência policial contra negros no Brasil e no mundo já existe há muitos anos, uma vez que, em 1890, dois anos após a abolição da escravidão, o Código Penal da República tornou crimes, punidos de prisão: a capoeiragem, a mendicância e a prática de curandeirismo. Logo, considerando esses crimes, a principal função da polícia brasileira, nos primeiros anos da República, era a de prender a população negra, principal alvo dos novos tipos penais.Todavia, nota-se que essa problemática se faz presente há séculos e, hodiernamente, ainda se perpetua de forma violenta.

Em primeiro lugar, é imprescindível destacar que, do total dos mortos em decorrência de intervenção policial, entre 2017 e 2018, 75,4% eram pessoas negras, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desse maneira, percebe-se que o cenário que o Brasil está inserido quase não mudou desde o início da República: se foram mais de cem anos e, ainda assim, a população negra é a principal vítima. Em vista disso, é valido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo, uma vez que esse não possui a segurança pública  que é  assegurada a ele constitucionalmente, como o João Pedro - jovem de 14 anos -  que não  a  teve. Ele estava dentro de sua casa, brincando, quando levou um tiro de fuzil numa operação policial feita no Complexo do Salgueiro.

Em segundo lugar, vale relacionar os dados do IBGE com a preparação feita em academias policias e considerar que esse profissional atua sob pressão, com risco iminente de morte, falta de reconhecimento profissional, falta de estrutura e salário baixo. Assim, essa classe trabalhadora, para exercer sua profissão de forma adequada, precisa de um treinamento adequado e só dessa maneira casos como o de George Floyd, assassinado por um policial que ajoelhou-se em seu pescoço por mais cinco minutos, e do João Pedro, deixarão de existir.

Depreende-se, portanto, que atitudes devem ser tomadas para encerrar tal problemática que já finalizou com a vida de milhares de cidadãos. Desse modo, é viável que o Governo Federal reformule a forma como esses agentes são treinados, sendo assim, é necessário o ensino sobre direitos humanos nas academias e um treinamento que os capacitem para situações diversas, e para isso, deve ser criado simulações que coloquem o agente em possíveis situações que podem ocorrer, selecionando os que se saírem melhor e capacitando os que tiveram menor desempenho. Além disso, esses profissionais necessitam de apoio psicológico para aprender a lidar com a pressão envolvida no seu cotidiano. Com essas medidas, espera-se que o cenário mude e o brasileiro, principalmente a parcela negra, tenha segurança pública, algo que é seu por direito.