Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 27/06/2020

“Como explicar para uma criança que a segurança dá medo?” é um dos questionamentos levantados na composição “Canção Infantil”, do Rapper brasileiro César MC. De modo similar, atualmente, a sociedade brasileira enfrenta um grande paradoxo, uma vez que órgãos responsáveis pela segurança do cidadão tornam-se intimidadores e violentos. Ao analisar essa questão, fica evidente como a violência policial pode ser intensificada por questões discriminatórias que, eventualmente, podem ocasionar em um episódio traumático.

Primordialmente, é preciso entender que a violência por parte dos órgãos de segurança pública, é uma questão não só social como também racial. Considerando que a sociedade como um todo está envolta por uma série de preconceitos, certas etnias acabam sendo marginalizadas. Essa pré-concepção racial pode ser observada ao analisar um caso de 1989, que ficou popularmente conhecido como “Os Cinco do Central Park”, aonde criou-se uma narrativa sem fundamentos para incriminar um grupo de adolescentes negros apenas por estarem no mesmo parque onde ocorreu um crime. Logo, fica perceptível como o racismo histórico e institucional pode influenciar diretamente nas ações policiais.

Consequentemente, essa violência baseada em conceitos racistas ocasiona demasiados traumas na comunidade negra hostilizada, constituindo tanto sequelas físicas, quanto emocionais. Um exemplo desse dano moral é relatado na série de TV “Cara gente branca”, aonde em um de seus episódios o personagem Reggie, um estudante negro, desenvolve um trauma psicológico após ser ameaçado com uma arma pelo segurança de sua faculdade. Não muito distante da ficção, e referindo-se a órgãos públicos, esse tipo de situação ocorre frequentemente no Brasil. Em síntese, a presença militar acaba sendo mais estressante do que segura para comunidades negras.

É inegável, portanto, que a violência policial contra negros não pode ser erradicada apenas com ações punitivas, por se tratar de uma construção histórica. Logo, é dever das instituições preparatórias da Polícia Militar aperfeiçoar os instrumentos de treinamento policial. Com o intuito de melhorar a formação policial e diminuir o número de agressões a civís. Isso pode ser feito por meio de ações disciplinares que trabalhem a questão ética do profissional, não só com caráter preparatório, mas também como parâmetro para selecionar profissionais íntegros. E assim, reverter o temor que a segurança pública causa, retratado na obra “Canção Infantil”.