Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 19/06/2020
Com a chegada da família Real, em 1808, uma das reformas joaninas foi a criação da Polícia Militar, a qual buscava defender os interesses da elite brasileira, composta por pessoas brancas que exploravam os negros na escravidão, e estes passaram a ser tornar um dos principais alvos da repressão policial. Hoje, ainda se nota um tratamento mais violento por parte dos policiais em relação à população negra, fruto da permanência de um racismo velado e de uma baixa comoção social frente a tal preconceito.
Em primeiro plano, observa-se que, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a possibilidade de um homem negro ser atingido pela polícia é cinco vezes maior do que um branco. Assim, embora evidente, o racismo policial no país camufla-se por meio de ações engenhosas de discriminação racial, a exemplo dos inúmeros casos de balas “perdidas” que encontram seu endereço predileto no corpo de um negro. Dessa forma, vê-se que em países como os Estados Unidos, onde ocorreu o morte de George Floyd, asfixiado por um policial, o racismo ocorre de forma mais direta e explícita, enquanto que no Brasil ele se mostra de forma disfarçada, mas igualmente nociva.
Ademais, essa discriminação velada tem feito com que a sociedade brasileira não se atente de imediato para tal problemática, tornando-se conivente para com ela. Dessa maneira, nota-se a “banalidade do mal”, conceito da filósofa Hannah Arendt, o qual consiste em naturalizar ações danosas à sociedade, pois, apesar de as estatísticas revelarem a violência policial contra os negros, ainda há pouca comoção social diante de tal prática. Assim, os recentes protestos estadunidenses que lutam por igualdade racial são pouco vistos em território nacional, alertando para uma clara necessidade de conscientização popular.
Portanto, é mister que o Estado tome providências cabíveis para solucionar o problema. Destarte, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública exigir que o preparo dos policias seja feito por psicólogos que busquem identificar quaisquer ideais discriminatórios, no intuito de coibir a prática daqueles que tiverem uma tendência de tratamento diferenciada baseada na cor do suspeito. Por fim, o Ministério da Educação deve realizar palestras em escolas, por meio de sociólogos, que explanem os casos de violência policial no Brasil, com o fito de criar nos alunos uma consciência de igualdade racial, de modo a fazê-los questionar as atitudes de uma polícia que ainda cultiva os ideais excludentes do século XIX.