Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 20/06/2020

A revolta da chibata, evento iniciado no começo do século XX no Brasil, foi um motim naval organizado por marinheiros brasileiros. O fato histórico ficou marcado pelo uso de chibatas por oficiais brancos para punir oficiais negros pela balbúrdia - iniciada como forma de protesto pelos maus tratos que estes sofriam dentro das próprias instalações governamentais. No que concerne a sociedade contemporânea, esse é só mais um dos milhares de exemplos da persistência da violência contra os negros, mesmo após a abolição da escravatura. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária, motivada por uma cultura racista e pela baixa atuação dos setores governamentais, analisar essa problemática é medida que se faz imediata.

É importante ressaltar, em primeiro plano, de que forma o racismo estrutural serve para perpetuar essa opressão contra as minorias afrodescendentes. Isso ocorre, em parte, pela estereotipação do negro nos mais diversos setores culturais, que muitas vezes são retratados como bandidos, violentos e marginais. Sob esse âmbito, uma banalização da imagem dessas pessoas é normalizada na mente da população e torna-se aceitável que esses grupos sejam excluídos e por vezes, violentados pelo próprio Estado. Antagonicamente aos ideais de Thomas Hobbes, que defendia o bem estar da população como ponto principal da função dos governos ao redor do mundo, os governantes brasileiros agem de forma negligente com os mais oprimidos.

Cabe mencionar, em segundo plano, a razão histórica dessa contínua baixa atuação governamental no Brasil. A princípio, essa questão ocorre desde a Lei Áurea, assinada em 1888 pela Princesa Isabel, que resultou no fim da escravidão em território nacional. Entretanto, mesmo após o término da escravatura, não houveram programas sociais que servissem para inserir esses negros - então alforriados - na sociedade brasileira, como na política e mercado de trabalho. Posteriormente, ao longo das gerações, os descendentes dessas pessoas acabaram marginalizados e com poucas oportunidades de servirem como cidadãos. Por conseguinte, resultando na situação contemporânea desses povos no Brasil.

Portanto, é mister que o Estado aja visando contornar o problema. Dessa maneira, é imperiosa uma ação do MEC, que deve, por meio de debates e propagandas, ensinar aos estudantes o histórico dos povos afrodescendentes no Brasil, com o fito de promover a inclusão desses negros na vida política e educacional da população. Visando ao mesmo objetivo, o MEC ainda deve propiciar cotas raciais em faculdades para aumentar a oportunidade de ascensão social e econômica dos mais oprimidos. Dessa forma, evitar que vergonhas históricas como a Revolta da Chibata aconteçam no futuro.