Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 18/06/2020
Segundo o líder do movimento pelos direitos civis negros, Martin Luther King, “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”. De maneira análoga, vê-se que o tratamento dos policiais por brancos e negros é diferente, sendo isso uma injustiça. O quadro de iniquidade perdura no Brasil desde a época da escravidão, e reflete na sociedade brasileira, seja por sua amarga raíz histórica ou pela preconceito que persiste na mentalidade dos brasileiros até hoje.
Com o fim da escravidão no Brasil, leis foram promulgadas para garantir a participação e inclusão dos negros na sociedade. Todavia, a inclusão não foi efetiva: os negros continuaram sendo julgados como inferiores aos brancos e, sem nem mesmo qualquer propriedade ou recursos, foram deixados à margem da sociedade. Esta mentalidade de que a cor de pele os torna inferiores mantém-se mesmo após mais de 100 anosdo fim da escravidão. Ao sustentar o pensamento de que os negros são mais passiveis a se tornarem criminosos, estes acabam sendo tradatados como tais. Mesmo com mais da metade da população brasileira sendo negra, esta respresenta mais de 75% das vítimas da violência policial.
Em maio de 2020, uma onda de protestos em várias cidades começou após o assasinato de George Floyd, nos Estados Unidos. George foi sufocado por um policial após tentar usar uma nota falsa. No Brasil a realidade não é distante. Mesmo com o objetivo de proteger os cidadãos, muitos políciais, com mentalidade racista, usam da violência contra negros. A visão do “negro bandido”, “favelado” e “ladrãozinho” na sociedade corrobora para que estes sejam abordados como tais, fazendo com que a forma de tratamento para brancos e negros seja diferente.
De acordo com a Constituição brasileira, promulgada em 1988, todos os cidadãos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção. Contudo, a mentalidade racista impede que todos sejam considerados iguais na sociedade. Logo, faz-se necessário, além das políticas já adotadas atualmente, campanhas de conscientização em escolas, desde o ensino fundamental, para que se discuta esta estereotipação dos negros, com o intuito de romper com a concepção que muitos brasileiros ainda têm. Somente com esta desconstrução do pensamento desde a infancia, a injustiça, apontada por Martin Luther King, pode deixar de ser uma realidade.