Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 18/06/2020
A Constituição Federal, promulgada em 1988, garante, no artigo três, uma série de diretos que também constam na Declaração dos Direitos Humanos. Entre eles, está o que assegura a igualdade de todos as pessoas, juntamente com todos os elementos que o permeiam. No entanto, apesar dessa garantia, percebe-se que, no Brasil e no mundo, a aplicação desses documentos não é efetivada na prática, visto os inúmeros casos de violência policial contra negros são uma realidade internacional. Nesse preocupante contexto, é importante analisar essa problemática por um viés político e social.
Antes de tudo, uma análise internacional evidencia que o descaso dos governantes é uma característica de todos os países que sofrem com o problema. Como ensinou Maquiavel, ainda no Renascimento, o principal objetivo dos governantes é manter-se no poder. Seguindo essa linha de raciocínio, observa-se que apesar dos inúmeros casos de violência policial contra negros em todo o mundo – como por exemplo o recente assassinato do estadunidense negro, George Floyde, por um agente de segurança estatal – não há nenhum esforço contundente por parte dos governantes para mudar essa infeliz realidade. Isso ocorre porque investir em políticas que objetivem acabar com o racismo institucionalizado nas polícias não acarreta em benefícios eleitoreiros claros, uma vez que o resultado não é percebido a curto prazo. O diagnóstico maquiaveliano, assim, continua atual: para permanecer no poder, tudo é válido, mesmo que contrarie o bem estar social.
Além disso, um recorte nacional revela que o comportamento racista da população agrava a situação. Segundo o francês, Emile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar dotada de generalidade exterioridade e coercitividade que é capaz de influenciar o indivíduo. De maneira análoga, percebe-se que o preconceito de raça, no Brasil, se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança cresce em uma das milhares de famílias contaminadas pelo pensamento racista, historicamente incentivado no brasil, visto a lei de cotas no governo Getúlio Varga, esse jovem tende a adotar atitudes semelhantes por ser influenciado pela convivência em grupo. Assim, pela lógica durkheiminiana, o pensar corrompido é transmitido de geração em geração, perpetuando o problema.
Torna-se evidente, portanto, que a situação é grave e não pode ser ignorada. Para mudar esse quadro, além de a Mídia internacional e nacional propagar casos de violência policial em todo o mundo com o objetivo de gerar comoção na população, essa mesma sociedade, após tomar conhecimento dos casos de violência policial, deve cobrar de seus governantes ações para mudar essa infeliz realidade, por meio de pressão popular. Isso pode acorrer, por exemplo, com protestos pacíficos contra o racismo a fim de que a Constituição brasileira e a Declaração Direitos humanos sejam plenamente respeitados.