Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 22/06/2020

A pintura “Redenção de Cam”, do espanhol Modesto Brocos, retrata a alegria de uma avó negra pelo neto recém-nascido, de pele clara. A obra, de 1895, revela o alívio sentido pela mulher, na esperança de que suas futuras gerações não precisassem passar por todos os desafios que ela passou, simplesmente pelo seu tom de pele. Embora na hodiernidade o “branqueamento social” não passe de uma ideia absurda, o racismo ainda é uma problemática observada em diversos locais, como na violência policial. Sobre esta, faz-se necessário, portanto, debater suas causas e consequências, a fim de atenuá-la.

Diante desse cenário, é importante ressaltar as causas que contribuem para o aumento de casos de violência policial contra negros, como o racismo institucional. Segundo um estudo da ONG “Mapping Police Violence”, negros têm quase 3 vezes mais chances de serem mortos por policiais dos Estados Unidos do que brancos, um padrão que também se repete no Brasil. Tais dados revelam como, muitas vezes, policiais e até mesmo a justiça tratam de forma diferenciada pessoas de diferentes raças, herança de um passado escravista, o que acarreta em um maior número de prisões e até mesmo mortes relacionadas à brutalidade contra tais grupos, o que agrava a problemática.

Por conseguinte, ainda convém lembrar as consequências da violência, como a interferência do racismo sofrido em todos os âmbitos que permeiam a vida do grupo, o que os impede de ter uma qualidade de vida ideal. A brutalidade policial influencia a disseminação de discursos de ódio, o que vai contra o Artigo 5° da Constituição Federal, a qual estabelece que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Nota-se, assim, como a perpetuação de tais pensamentos é problemática, visto que o preconceito pode muitas vezes custar a vida dos cidadãos.

É perceptível, dessa forma, como a violência policial contra negros ainda é um entrave na contemporaneidade e, por isso, é imprescindível que as escolas abordem mais este tema por meio de aulas direcionadas, em que profissionais qualificados exponham o racismo instituído na sociedade, buscando reduzir a ocorrência do problema nas dependências da instituição, para que, gradualmente, o número de casos diminua. Ademais, é necessário que a mídia, como formadora de opinião, inclua este assunto em novelas e propagandas, nas quais o tema do racismo possa ser explorado em sua complexidade, privilegiando a visão do agredido ao invés de dar espaço ao agressor, a fim de mostrar o crime de forma realista. Dessa maneira, será possível atenuar a problemática, para que as preocupações reveladas no quadro de Modesto Brocos possam fazer parte apenas da história do país.