Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 18/06/2020

Segundo o sociólogo britânico Thomas H. Marshall, a cidadania substantiva representa a expansão dos direitos sociais, civis e políticos para toda a população de uma nação. No entanto, ao analisar a violência policial contra negros no Brasil e no mundo, percebe-se, assim, um corpo social distante dessa visão de cidadania. Isso acontece devido a negligência as leis, mas também pela omissão da escola em exercer a sua função.

Em primeiro lugar, o filósofo Henrique de Lima argumentou que a modernidade se assente no enigma, de uma civilização tão avançada em suas razões teóricas e, por sua vez, tão primitiva em suas razões éticas. Sob tal prisma, é que se observa a brutalidade policial direcionada aos negros, visto que apesar dos direitos humanos afirmarem a igualdade das raças, nota-se que o tratamento do órgão que deveria fomentar a segurança pública se posiciona de forma contrária a esses regulamentos. Em vista disso, a negligência as leis que regem o corpo social, principalmente em relação a democracia racial, favorecem o retrocesso da população ao período escravista, o qual subjugou o negro a um sistema desumano.

Além disso, essa postura também revela as falhas presentes no sistema educacional, posto que, segundo o Educador Paulo Freire, a educação proporciona meios para mudar o indivíduo e esse, assim, torna-se apto para transformar a sociedade. Consoante a isso, ao analisar as ações policiais que reverberam atitudes do sistema escravocrata, nota-se, dessa modo, uma escola que não exerce a sua função. Isso é reflexo de um ensino tecnicista que preconiza a formação de estudantes competentes para o mercado de trabalho, mas ausente de valores de cidadania, como se observa na falta de aulas destinadas à consciência negra. Dessarte, a omissão da escola em ofertar a paridade racial, dificulta o rompimento com o passado.

Portanto, é imprescindível que o Estado intervenha nessa situação. Para tanto, cabe a esse órgão punir os policiais que fomentarem a violência contra os negros, mediante a perda do emprego e a consideração desse crime como inafiançável, a fim de que, dessa forma, coíba essa prática e haja o respeito da lei direcionado a igualdade racial. Ademais, é de suma importância que as escolas desde a educação básica criem uma matéria relacionada à consciência negra, que ensine, por meio de aulas de história e de palestras, o respeito as raças, com o propósito de combater pensamentos que remetem a escravidão. À vista disso, a promoção da paridade racial permitir-se-á a cidadania expressa por Marshall.