Violência policial contra negros no Brasil e no mundo

Enviada em 18/06/2020

A escritora Djamila Ribeiro, na obra “Manual Antirracista”, expõe como a sociedade foi fundamentada diante de um alicerce preconceituoso, o qual subjuga e inferioriza o homem pela cor, e, consequentemente, ecoa, na contemporaneidade, o racismo de forma cotidiana no tecido social. Notadamente, esse cenário é salutar para que a violência policial contra negros no Brasil e no mundo seja uma verdade tangível. Desse modo, percebe-se o cerceamento da liberdade de tais indivíduos, além de evidenciar uma dissonância perante os direitos constitucionais e a realidade.

A princípio, Sartre declarou que todo homem é condenado à liberdade. No entanto, a escravidão, entre o século XVI e XIX, liquidou a liberdade do negro. Tanto que, mesmo com o processo de abolição da escravatura, a sociedade pós-moderna possui resquícios desse sistema, visto que a cegueira moral- como mostrou Zygmunt Bauman, referente à falta de altruísmo na modernidade-aliada com o preconceito racial, impede que a sociedade enxergue as injustiças que o outro, nesse caso o negro, pode estar sujeito. Nessa lógica, essa conjuntura contribui para fomentar ações de policiais que demonstrem arbitrariedade contra tais indivíduos, dado que estão sob uma visão discriminatória. À vista disso, nota-se que essa conjunção restringe a liberdade de tal parcela da população no seio social.

Outrossim, o filósofo Henrique de Lima, no livro ‘‘O Enigma da Modernidade’’, relata que apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. Tanto que pode-se traçar um paralelo entre a Constituição Cidadã- que resguarda os mesmos direitos para todos, independente de características fenotípicas da pele- e a realidade que demonstra uma contrariedade, seja pela associação, intuitiva e preconceituosa, do negro com o crime, seja pela violência policial contra tal indivíduo. À vista disso, nota-se uma não consonância entre os direitos estabelecidos na Carta Magna e a narrativa factual.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo desenvolva programas sociais, por meio de verbas governamentais, com o intuito de mitigar ações violentas de policiais contra o negro. Assim, é fundamental que esses programas sejam feitos da seguinte forma: realizar, associado à mídia, campanhas publicitárias que denotem como os afro descentes são inferiorizados na sociedade, mediante a utilização de depoimentos de ativistas do movimento negro; criar ações coercitivas destinadas a policiais que tenham atitudes violentas contra essa parcela da população, para isso é importante um mapeamento de relatórios que demonstrem o comportamento desses agentes. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas relacionadas à essa questão e, por fim, todos estarão condenados à liberdade como bem pensou Sartre.