Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
Enviada em 17/06/2020
Primordialmente, consoante Emmanuel Lévinas, o mundo hodierno é palco da ética de acolhimento, fenômeno no qual a fraternidade entre os povos cresce alicerçada à globalização. No entanto, contrapondo-se a ética defendida por Lévinas, encontra-se o profundo desrespeito e violência aos quais a população negra é submetida há três séculos. Em síntese, enquanto a homogenia da pessoas brancas caminha para a utopia democrática e fraterna, a condição social dos negros é rebaixada e ameaçada exponencialmente, por agentes que legalmente deveriam assegurar sua segurança.
Sobretudo, Florestin Fernandes afirmou que a condição precária do negro brasileiro advém da transição defeituosa de escravos para cidadãos livres. Efetivamente, as palavras de Florestin remetem ao princípio da violência legalizada e apoiada contra africanos que resultou na posição social inferiorizada dos afrodescendentes por todo o globo. Dessarte, tendo como berço a escravidão, o racismo evoluiu junto aos estados nacionais, limitando a presença negra nos centros urbanos e os condenando á margem social. Indubitavelmente, o novo apartheid resume-se a comunidade negra fadada ás periferias, sem perspectiva de ascensão social ou livre exercício de seus direitos cidadãos, lidando com as variadas facetas da violências discriminatória.
Imediatamente, Ruth Benedict defendia que a cultura é a lente com a qual o homem enxerga o mundo. Por conseguinte, é o racismo estrutural, fortemente enraizado a cultura mundana que culmina nos incontáveis atos e práticas violentas para com a comunidade afrodescendente. Decerto, as leis ineficazes de proteção contribuem para que órgãos responsáveis pela proteção igualitária, como as policias, tornem-se agentes propagadores da livre violência contra a comunidade negra. Assim sendo, a visão do homem branco hodierno é descendente direta da visão imperialista, optando pela inércia perante ao genocídio negro e contribuindo com a manutenção do medo coletivo da população de cor. Naturalmente, os afrodescendentes permanecem lutando em busca do mísero direito à vida, cláusula petria facilmente ignorável em muitos atos policiais apoiados pela sociedade.
Em virtude de todos os fatos analisados, é de demanda urgente ações que rompam com a vigente situação. Dessa maneira, a união de estados nacionais, ongs e mídia globais e a sociedade como um todo, deve ocorrer para sanar tal quadro. Portanto, através de amplas campanhas midiáticas, palestras e oficinas em meios de comunicação de massa, que propaguem a importância da comunidade afrodescendente para a identidade dos estados e sua proteção popular. Bem como, a criação e revisão de leis que garantam a proteção dos negros e a devida punição a atos racistas, visando romper com a violência generalizada e caminhando para a efetiva democratização igualitária de todos os povos.