Violência nos estádios: como combater esse problema?
Enviada em 22/04/2024
“Até 58, o brasileiro não ganhava nem cuspe à distância. O sujeito dormia enrolado na derrota como num cobertor. Ninguém acreditava no Brasil, nem o Brasil acreditava em si mesmo.” A fala de Nelson Rodrigues a respeito da vitória do Brasil na Copa do Mundo de 1958, um período em que a nação necessitava de um marco contra a crença de inferioridade, evidencia que a relação da pátria com o esporte vai além de mera paixão; entretanto, o Brasil também possui o infeliz título de campeão no número de mortes relacionadas ao futebol: 384 desde 1988, segundo o jornalista Rodrigo Vessoni, tornando necessário o combate a violência nos estádios, originada por dois fatores cruciais: a impunidade e o comportamento coletivo dos torcedores.
Apesar de ações como a criação da Comissão Nacional de Prevenção da Violência e Segurança nos Espetáculos Esportivos, ainda não foram tomadas medidas efetivas contra a violência nos estádios. Conforme o levantamento de Rodrigo Vessoni, das 384 mortes ligadas ao futebol, os assassinos saíram impunes em 263 casos. O dado mostra que, mesmo infringindo a lei, os torcedores acabam isentos de consequências e, por conseguinte, possuem a possibilidade de realizar novamente atos violentos e contribuir para o aumento de vítimas.
Ademais, quando as pessoas se sentem parte de uma multidão, sua responsabilidade individual diminui. Segundo Carlos Alberto Máximo Pimenta, autor do livro “Torcidas Organizadas no Brasil”, o comportamento agressivo crescente nos estádios deve-se pelo caráter social do grupo em que estão inseridos. De acordo com Celso Unzelte, comentarista esportivo, o que leva os torcedores a participarem dessas agrupações e, por vezes, cometer crimes, é a necessidade de aceitação e pertencimento.
Portanto, é crucial que o governo, por meio do Legislativo, crie penalidades mais duras para agressões, e os Estados, delegacias dedicadas ao crime esportivo para a agilizar o processo de investigação e punição, bem como cabe aos líderes de torcidas, jogadores e treinadores promoverem por meio das mídias digitais, físicas e televisivas a paz e o respeito, além de realizarem programas de conscientização enfatizando a responsabilidade individual e respeito mútuo.