Violência nos estádios: como combater esse problema?
Enviada em 24/10/2019
Em 1988, Ulysses Guimarães estabeleceu na Carta Magna que a República deveria garantir a segurança de todos cidadãos. Entretanto, o cenário de violência nos estádios brasileiros evidencia que a promessa de Guimarães não saiu da teoria. Com efeito, há de se desconstruir a maldade humana e a omissão estatal.
Cabe pontuar, em primeiro plano, que o cenário agressivo dos estádios evidencia a maldade humana. Nesse viés, a filósofa Hannah Arendt desenvolveu o conceito conhecido como banalidade do mal, segundo o qual as relações sociais estão cada vez mais caóticas e as atitudes mais cruéis. Nesse sentido, substancial parcela dos indivíduos manifesta na prática a cultura hostil e fomenta a violência esportiva em sua face mais perversa, o que inviabiliza o bem-estar social e reflete uma mazela social.
Outrossim, é válido salientar a inércia estatal como obstáculo para a segurança pública. Nessa perspectiva, o filósofo John Locke - pai do liberalismo político - construiu a tese em que os indivíduos cedem sua confiança ao Estado que, em contrapartida deve assegurar os direitos da população civil. Ocorre que a ideia de Locke está distante de ser realidade, haja vista o aumento crescente da violência nos estádios e a carência de medidas públicas para garantir a segurança nos jogos. Assim, enquanto a seguridade social não for prioridade, os estádios terão que conviver com este obstáculo: a violência.
Em virtude dos fatos mencionados, medidas devem ser tomadas para mitigar a problemática. Para tal, o Ministério da Justiça deve por intermédio de políticas públicas, estabelecer que em todas arenas esportivas tenha a presença de agentes de segurança, com o intuito de garantir a seguridade local e executar a promessa de Ulysses de forma efetiva. Além disso, a população deve repudiar atos de violência nos estádios e promover debates em mídias sociais, a fim de desconstruir a cultura de hostilidade e promover a mudança de mentalidade social.