Violência nos estádios: como combater esse problema?
Enviada em 18/10/2019
Senhores da guerra
Quando Pelé advoga que o futebol é o ponto em comum que une toda a nação brasileira, ele não se referia aos constantes atos de violência que permeiam os estádios brasileiros. Tal concepção está atrelada ao fato de que, ao longo da história, houve a perpetuação de uma cultura agressiva protagonizada por grupos organizados que contestam a fragilidade da segurança nas grandes arenas. Em virtude disso, ações governamentais têm sido adotadas na tentativa de conter a bestialidade que ainda rege o espírito primitivo do homo sapiens.
Dos espetáculos no Coliseu na Antiguidade aos jogos de futebol no século XXI, a cultura da violência e agressividade enraizaram-se no DNA sociológico do homem, migrando do palco, à luz da doutrina do pão e circo romana, para os hooligans brasileiros da contemporaneidade. Tal verdade é ratificada pelo escritor Denis Diderot, que traça uma linha tênue entre fanatismo e barbárie e classifica a humanidade como protagonista destes dois lados de uma mesma moeda. Desse modo, enquanto os campos futebolísticos pedem paz, o Estado é convidado a administrar uma crise moral e ética dos torcedores brasileiros.
Em paralelo à crise nos estádios, autoridades públicas monitoram e esforçam-se na tentativa de vencer o Calcanhar de Aquiles dos esportes: a rivalidade transformada em guerras. Prova disso são as invariáveis tentativas de manutenção do Estatuto do Torcedor e da biometria nos campos, no esforço de trazer uma maior segurança para aqueles que verdadeiramente estão lá pela paixão ao esporte. Logo, embora seja evidente o avanço estatal na criação de mecanismos protetivos que buscam requalificar o futebol à condição de embaixador da paz, há ainda um extenso caminho a ser percorrido.
Ares, Marte e Odin, para além de representarem as divindades relacionadas à guerra, são manifestações da personalidade da barbárie que o homem ainda carrega dentro de si. Do universo mitológico à realidade brasileira, é condição ‘sine qua non’ a promoção da cultura da paz nos estádios com maior apelo à conquista dos princípios de ordem e segurança. Diante dessa perspectiva, o Estado, através de uma agenda interventiva, deve garantir a permanência de projetos educadores e punitivos para torcedores violentos com o fito em fomentar o respeito nos estádios. Por outro lado, a Mídia, aliada aos clubes e seus representantes, deve veicular propagandas que descredenciem o comportamento violento e promovam um senso de paz entre as torcidas organizadas. Com isso feito, os senhores da guerra deixar-se-ão de representar a personalidade do homem, sendo substituídos pelos patronos da paz.