Violência nos estádios: como combater esse problema?
Enviada em 15/10/2019
Na Idade Média, os atos de violência eram associados a manifestações de imposição e poder. Diante desse cenário, os gladiadores que lutavam no Coliseu, em Roma, sucediam ao público a afeição à brutalidade e a justificativa baseada em valores culturais. No entanto, após séculos de avanço e proteção aos direitos humanos, alguns indivíduos ainda refletem esse traços na competição esportiva. Sob esse viés, a problemática tem base em fatores como o incentivo da mídia ao sentimentalismo e a impunidade nas agressões.
Primeiramente, a mídia impulsiona a valorização ao sentimentalismo pelo time, e pode ajudar até mesmo a converter essa paixão pelo futebol em um verdadeiro estilo de vida. Nesse sentido, ao valorizar exacerbadamente esse sentimento dando ênfase em jogos decisivos, os torcedores adotam erroneamente o sentido da metáfora conceitual, “Futebol é guerra”, induzindo assim os torcedores a nutrir um nacionalismo imperativo e encaram as partidas como um combate. A exemplo disso, no clássico Fluminense x Botafogo realizado no primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2019, em que torcedores do botafogo cercaram a família do auxiliar técnico do outro time e os agrediram. Assim, esses utilizam da agressão como um tipo de defesa ou instrumento para obter supremacia e poder perante o outro time e sua respectiva torcida.
Por conseguinte, a impunidade dessas ações hostis favorece o contínuo desrespeito àqueles que vão ao estádio somente para se divertir, e até mesmo inverte a visão do esporte como inclusão social, defendida pelos clubes. Exemplo disso é que o Brasil lidera o ranking de mortes em estádio de futebol, segundo o G1, portal de notícias, o que confirma que a segurança nesses lugares é ineficaz. Visto que, são designados poucos policiais para os arredores e em casos de agressões ou os responsáveis nem são identificados ou quando são, recebem apenas uma leve advertência, enquanto que para as vítimas que sofrem violência física ou moral, os danos podem ser irreversíveis.
É imprescindível, portanto, buscar alternativas para intervir na violência nos estádios. Então, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério do Esporte, órgão responsável pela construção de uma Política Nacional de Esporte, criar campanhas na TV e nas mídias sociais, visto que é raro um indivíduo não ter acesso a esses meios de comunicação, contratando atores conhecidos nacionalmente, no intuito de explicitar a importância do esporte na inclusão social e conscientizar a população. Assim, será possível superar o sentimento de rivalidade de alguns torcedores e a impunidade ainda presente na realidade brasileira.