Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 12/10/2019

Sob a perspectiva histórica, o Coliseu, em Roma durante os séculos 1 e 2, era um espaço utilizado para o entretenimento popular com lutas até a morte e torturas. Nessa óptica histórico-social, a reconstrução desse cenário, o qual a violência faz-se presente em campos de entretimento esportivo, sucede-se pela rivalização exacerbada fundamentada na intolerância ao diferente. A partir disso, observa-se as políticas públicas socioeducativas como medidas preferíveis frente à violência nos estádios.

Nesse contexto, o sociólogo Stuart Hall, em sua obra " A identidade cultural na modernidade", concebe as torcidas organizadas como diferentes identidades rivalizando-se em busca da afirmação de seus aspectos identitários sobre outros grupos. Por esse panorama, por exemplo, as associações torcedoras de times futebolísticos, consistem na organização de indivíduos com sentimento de pertencimento a determinadas equipes, e essa afeição, quando desmedida, pode causar um pensamentos semelhante ao etnocentrismo, o qual é caracterizado pelo desprezo de outras etnias e a eleição de uma como superior. Dessa maneira, a educação é um aparato fundamental para extirpar esse sentimento exacerbado e violento, ao passo que mediatiza o ensino societário, o qual é alicerçado no conceito dos cidadãos serem humanos antes de pertencimentos a associações, e sua ausência traz consequências violentas nos espaços esportivos, as quais são repudiáveis.

Ademais, segundo o estudo de Mauricio Murad, Doutor em sociologia do esporte, em 2017, 104 episódios de brigas entre torcidas organizadas, resultando em 11 mortes. Mediante esse dado, nota-se um contexto análogo ao do Coliseu, em que a violência impera nos campos esportivos mediatizando mortes pelos conflitos de identidades. Dessa forma, a ocorrência de truculências intolerantes em espaços os quais, em teoria, deveriam servir como palco de uma integração saudável não é razoável.

Portanto, é dever do Estado intervir sobre as dinâmicas sociais com aparatos educativos para proteger seus cidadãos das incomplacências identitárias violentas, ocorridas nas esferas desportivas. Sendo assim, cabe ao Ministério da Cidadania elaborar e executar uma campanha nacional fomentadora de tolerância entre os torcedores das equipes, contempladora de ações publicitárias nos canais televisivos e digitais com a presença de times de cada região do Brasil e seus atletas compartilhando mensagens de respeito as diferenças e repúdio à agressão por meio de investimentos na Secretaria de Comunicação Social para garantir a paz no esporte. Desse modo, tem-se o intuito de utilizar políticas públicas socioeducativas para mitigar a violência nos estádios.