Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 16/10/2019

Em 1988, Ulysse Guimarães promulgou a Carta Magna e determinou que a segurança deveria ser um direito garantido a todos. Entretanto, a constante violência presenciada nos estádios brasileiros ainda permanece como um problema a ser superado, para enfim garantir os direitos estabelecidos no século passado. Com efeito, hão de ser desconstruídas atitudes cruéis e a ausência do Estado.

Em primeiro plano, a maldade é um sentimento inerente ao ser humano e dá lugar a cenários de violência. A esse respeito, Hannah Arendt - filósofa alemã - criou o conceito de “Banalidade do Mal”, na qual atitudes cruéis fazem parte do cotidiano de homens e mulheres. Nesse sentido, indivíduos, imersos no conceito criado por Arendt, promovem ações controvérsas e inadequadas durante partidas esportivas e dão lugar a cenas imprudentes de violência. Dessa maneira, enquanto a “Banalidade do Mal” estiver presente no cotidiano, o brasileiro continuará convivendo com um dos mais graves problemas da sociedade contemporânea: a normalização de atitudes maldosas.

De outra parte, a omissão do Estado inviabiliza a cultura de paz nos estádios. Nesse viés, Jonh Lock, no século XVIII, propôs o conceito de “Contrato Social” no qual os cidadãos confiariam o poder ao Estado, e em troca o Estado deveria garantir direitos aos cidadãos. Ocorre que apesar de se tratar de um dever do Estado, na prática, os indivíduos ainda não desfrutam dos direitos mencionados por Lock, de modo que o problema da violência ainda presente nas arenas denuncia uma grave ausência das autoridades. Assim, enquanto o Estado permanecer inerte, o clima de paz nos ambientes esportivos será a exceção.

Impende, pois, que o direito à segurança estabelecido na Carta Magna seja colocado em prática. Para isso, os cidadãos - no exercício do seu senso crítico - devem estabelecer debates, por meio das mídias sociais, como discussões em fóruns da internet, a fim de promover a reflexão a respeito das atitudes violentas infundadas e estabelecer o respeito e a empatia. Por outro lado, o Ministério Público pode, com prioridade, investigar a omissão do Estado, por meio de Ação Civil Pública, com a finalidade de garantir a presença de mais agentes de segurança nas arenas. Assim, o brasileiro, enfim, deixará de conviver com a violência nos estádios brasileiros.