Violência nos estádios: como combater esse problema?

Enviada em 07/09/2019

O estado natural da sociedade, segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, é caracterizado por medo constante e por extrema violência, de forma que ‘‘o homem é o lobo do homem’’. Nesse sentido, é possível perceber a semelhança desse cenário com os estádios de futebol no Brasil, visto que os jogos são marcados por confrontos violentos, frutos da intolerância e do extremismo no esporte que é paixão nacional. Por isso, urgem medidas para mitigar essa questão preocupante.

Em primeiro lugar, deve-se considerar a existência de diferentes motivos que explicam essa situação. Pode-se pensar, por exemplo, na necessidade do ser humano, especialmente do povo brasileiro, de sentir que pertence a uma causa maior do que a própria existência, o que justifica a existência das torcidas organizadas. Esse sentimento é fruto da perda de parte da identidade nacional decorrente da colonização portuguesa. Ademais, o órgão de pesquisa IPEA revelou que, em geral, a violência é realizada por homens jovens desempregados e de baixa escolaridade. Isso é consoante a ideia de anomia, do pensador Dahrendorf, que afirma que a violência ocorre quando as normas perdem a validade, uma vez que o Estado é incapaz de prover educação e segurança para a população.

Em segundo lugar, é preciso notar as consequências desse quadro. Uma delas se relaciona a perda da liberdade do público de frequentar os estádios ou até mesmo de sair às ruas em dias de jogos, principalmente de clássicos, porque a violência das torcidas organizadas, às vezes, se expande para além dos estádios. Outrossim, em confrontos, é comum observar a depredação do patrimônio público e também a agressão injustificável de pessoas que, por vezes, são levadas ao óbito. Esses fatores  corroboram para aumentar os gastos públicos contra o vandalismo ao invés de investir em educação e segurança.

Portanto, é imprescindível que o Estado tome providências para modificar o quadro atual. Para já, é preciso que o Ministério da Justiça juntamente com a polícia civil e militar fortifiquem a segurança nos estádios de futebol e no trajeto deste, tanto antes quanto depois dos jogos, por meio de grupos operativos que identifiquem os focos de violência, para garantir a segurança dos torcedores e civis. Também é essencial que o Governo promova educação, por meio de cursos técnicos, para os integrantes das torcidas organizadas, para que estes abdiquem da violência em prol da inserção no mercado de trabalho e sintam-se pertencentes a nação.