Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 18/11/2021
A série “13 Reasons Why”, produzida pela Netflix, retrata em um dos seus episódios a morte de um jovem devido a irresponsabilidade de duas motoristas bêbadas, que ao derrubarem uma placa de trânsito não ligam para as autoridades de trânsito. Fora da ficção, a obra pode ser relacionada com a violência nas vias públicas no Brasil, visto o elevado número de acidentes e óbitos. Esse cenário adverso ocorre em razão tanto da imprudência dos condutores, quanto da banalização de atos agressivos no país.
Em primeiro lugar, cabe abordar o não seguimento da legislação de trânsito por alguns motoristas como um fator que impossibilita a resolução desse problema. De acordo com o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, embora os brasileiros possam ser considerados como um povo cordial, dificilmente esses seguem as leis e a burocracia do Estado. Nesse contexto, percebe-se que é recorrente no país ações que visam burlar a regulamentação de tráfego, como a diminuição da velocidade ao passar por um radar e a não utilização do cinto de segurança. Tal fato, além de pôr em risco a vida de quem está na condução em risco, propicia a ocorrência de acidentes fatais, como na série “13 Reasons Why”, que poderiam ser evitados caso o motorista refletisse sobre seus atos. Logo, mostra-se necessária medidas governamentais que visem impedir esse tipo de irresponsabilidade.
Ademais, vale destacar a banalização da brutalidade nas vias públicas, uma vez que conforme dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil ocupa a 5ª posição de violência de trânsito em todo o mundo. Segundo a teoria da banalidade do mal, da filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre de maneira frequente e sem questionamentos, essa se torna trivial. Nesse sentido, nota-se que por ser algo recorrente no território nacional, ações que deveriam ser tratadas com solidariedade e espanto são naturalizadas, o que impede a sensibilização de grande parte da população à hostilidade no tráfego. Essa conjuntura é potencializada pela transmissão de imagens de acidentes violentos em jornais sensacionalistas que não promovem a conscientização e pensamento crítico dos telespectadores.
Portanto, cabe ao poder legislativo fortalecer as leis de trânsito já existentes por meio de maior fiscalização nas avenidas e endurecer com penas mais longas a sentença dos responsáveis por acidentes imprudentes, com o intuito de impedir o não cumprimento das normas. Além disso, o Ministério da Educação deve conscientizar os indivíduos por intermédio de campanhas informativas na mídia, protagonizadas por famílias atingidas por esse tipo de violência, com o objetivo de sensibilizar e impedir a trivialização do tema. Dessa forma, a agressividade nas vias públicas poderá ser minimizada.