Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 04/10/2020
Na obra Utopia, o escritor Thomas Mores dissertou sobre uma ilha que funcionava de forma perfeita, desse modo, os utopianos, como eram chamados os seus habitantes, desfrutavam de um ambiente harmônico. No entanto, ao analisar a violência no trânsito no Brasil, percebe-se uma sociedade que não dialoga com a civilização proposta por More. Á luz disso, ao debater tal realidade no país, nota-se que isso é fruto de uma sociedade violenta, mas também decorre de um ensino tecnicista presente nas escolas.
A priori, conforme o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada com um “corpo biológico”, por ser assim como esse: composta por partes que interagem entre si. Sob tal prisma, verifica-se a impossibilidade de debater sobre a violência no trânsito sem analisar a postura do corpo social, dado que tal interação inviabiliza que os comportamentos sejam compreendidos de forma isolados. Em vista disso, ao detectar uma civilização que adota a violência como um meio de “solução”, como se observa nos casos de bullying e nos atos de intolerância religiosa, percebe-se, consequentemente, que essa falta de alteridade também se reverberará no trânsito. Desse modo, compreende-se a dificilmente de se combater a violência em tal contexto.
Ademais, segundo o sociólogo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nesse sentido, constata-se que a educação é o fundamento que norteia a conduta do indivíduo na sociedade. Consoante a isso, nota-se que a violência no trânsito dialoga com um ensino que não valoriza os princípios da cidadania. Prova disso é a prevalência da educação tecnicista no ambiente escolar, posto que essa não se ampara na realidade que o indivíduo está inserido e nas problemáticas que o cerca, mas, apenas, na formação de estudantes aptos para o mercado de trabalho. Assim, um ensino que não estimula o convívio em comunidade permite que problemas sociais sejam uma tônica na população.
Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse órgão, mediante repasse de verbas públicas, fomentar politicas que buscam coibir a violência no trânsito. Nesse viés, o Ministério da Educação desenvolverá no ambiente escolar palestras para a comunidade, por meio de sociólogos e psicólogos, os quais discutirão que o comportamento no trânsito é reflexo de uma sociedade violenta, a fim de que haja uma compreensão do público sobre a necessidade de adotar o respeito ao próximo em todas as suas relações interpessoais. À vista disso, com um ensino que valoriza a cidadania construir-se-á uma sociedade que reverbera a civilização utopiana.