Violência no trânsito em debate no Brasil
Enviada em 01/10/2020
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a violência na trânsito dificulta a concretização dos planos de More. Nesse sentido, convém analisar banalização da violência e a fragilidade das relações sociais como pilares fundamentais da problemática.
A princípio, é fulcral pontuar que a agressividade no trânsito é impulsionada pela falta de punição. Consoante ao sociólogo alemão Dahrendorf, no livro ‘‘A lei e a ordem’’, a anomia é a condição social em que as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade. Seguindo essa linha de pensamento, é possível perceber que os motoristas estão cada vez mais usando a violência para tentar resolver os problemas no trânsito ao invés de leva-los para o poder judiciário. Dessa forma, atualmente, o Brasil ocupa a quinta posição de país mais violento no transito no mundo, de acordo com a Organização Mundial da saúde (OMS). Sendo assim, constata-se que as leis reguladoras do transito encontram-se em um estado de anomia, devido ao fato de serem substituídas por agressividade e, por vezes, sem qualquer penalidade para quem a pratica.
Outrossim, vale ainda ressaltar que a violência nas rodovias deriva do enfraquecimento das relações sociais. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da ‘‘Modernidade Líquida’’ vivida no século XXI. Desse modo, verifica-se que as pessoas agem pela emoção e não pela razão, o que faz com que em momentos de estresse no transito os indivíduos usem a hostilidade sem pensar nos danos que essa atitude brutal pode trazer. Sendo assim, a falta de consciência e prudência dos motoristas na hora de agir em situações de conflito no transito faz com que os casos de agressão continuem crescendo.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para que a violência no trânsito deixe de ser um problema no Brasil, e assim, a sociedade de aproxime da obra de More. Logo, o governo, a partir do seu papel de garantir o bem-estar social, deve contratar mais guardas rodoviários para que, por meio destes, a punição efetiva. Ademais, as autoescolas, com sua missão de gerar motoristas conscientes e responsáveis, deve incluir o autocontrole nas matérias de estudo para tirar habilitação, por meio de palestras ministradas por psicólogos que ensine as pessoas a como reagir em situações de estresse, a fim de que a violência diminua no trânsito.