Violência no trânsito em debate no Brasil

Enviada em 30/09/2020

Segundo a Constituição federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à segurança. Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que há cenários de violência no trânsito no Brasil. Nesse sentido, é importante analisar que parte da população tem sua garantia constitucional violada, o que é consequência da negligência governamental, somada à má formação escolar, as quais dificultam a atenuação da problemática.

Em primeiro plano, observam-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, no policiamento eficaz do trânsito brasileiro. Nesse viés, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, os indivíduos abrem mão de parte de suas liberdades e delegam funções ao Estado, a fim de atingir o equilíbrio social. Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não posiciona, em locais e horários estratégicos, agentes de tráfego nas principais avenidas e rodovias dos grandes centros urbanos, de forma a prevenir situações de imprudência, como motoristas dirigindo utilizando o celular. Logo, a escassez dessa medida colabora para a manutenção da violência e dos acidentes que ocorrem nas vias de locomoção do país, já que a ineficiência do poder público em fiscalizar e aplicar as leis promove uma sensação de impunidade.

Ademais, os desafio em diminuir a violência no trânsito no Brasil podem possuir relação com um convívio social deficitário, ao passo que as instituições de ensino demonstram-se ineficientes em estimular a empatia na aprendizagem do estudante. Acerca disso, o filósofo Theodor Adorno apontou, como possibilidade sociológica, uma pedagogia para autonomia, a fim de desenvolver uma escolaridade marcada por uma ética transcultural e inclusiva. Nessa conjuntura, o tecido educacional é ineficaz em fomentar, no aluno, um senso crítico capaz de respeitar o outro nos diversos acidentes que podem ocorrer no tráfego, além de estabelecer acordos nesses casos. Portanto, em função da baixa escolarização e da desvalorização da vida, parte da população considera a hostilidade e a agressão como ferramentas para solucionar problemas, o que contribui para assassinatos em vias de locomoção.

Em conclusão, é responsabilidade do Estado, mediante o cumprimento de seus deveres previstos na Carta Magna, desenvolver medidas capazes de atenuar a problemática. Destarte, é dever do Governo Federal, por meio do financiamento de empresas privadas de segurança, estabelecer postos de policiamento nas avenidas em que o número de acidentes e mortes por colisão de veículos aumentou, além de acrescentar mais sinalizações durante os percursos. Desse modo, a violência no trânsito no Brasil será reduzida, já que nesses locais haverá uma melhora na fiscalização e, ainda, nos alertas destinados aos motoristas.