Violência financeira contra idosos
Enviada em 18/11/2021
Na série televisiva “Round Six”, o protagonista sobrevive ás custas de sua mãe idosa, que lhe fornece tudo que é preciso para o mínimo de dignidade. Entretanto, não bastando a ajuda fornecida pela mãe, o protagonista utiliza indevidamente as economias dela, o que a coloca em situação economicante vulnerável. Infelizmente, tal cenário de exploração econômica do idoso não faz parte apenas da ficção. Os idosos frequentemente são vítimas de violência financeira, sendo assim, cabe a discussão dos principais causas desse fenômeno, que são a falta de empatia pelos familiares próximos e a busca por lucros por parte das instituições bancárias.
Segundo o filósofo grego Aristóteles, as atitudes humanas são dignas de virtude quando são estruturadas e pensadas no bem comum. O exercício da empatia, que é a capacidade de sentir e colocar-se no lugar do próximo, é sinônimo do bem comum, mas a construção de relações empáticas entre familiares e idosos brasileiros vêm se deteriorando. Os familiares próximos ao idoso se aproveitam, muitas vezes, de uma condição de confiança e ingenuidade para se beneficiar economicamente. O idoso lesado, tenta remediar a situação, já que teme que caso contrarie os entes predadores será abandonado ou agredido moralmente. È inadmissível, que em uma condição de austeridade e longevidade, a sociedade não garanta mecanismos que protejam o idoso e garantam o seu bem comum.
Ademais, com a consolidação de um sistema prioritariamente capitalista mundialmente, os valores ligados às instituições passam a ser vistos unicamente com o viês monetário, ignorando a responsabilidade social que certas iniciativas podem gerar na vida de seus usuários. Por exemplo, há instituições bancárias que instigam fervorosamente idosos a contrairem empréstimos, comumente, há um setor especializado a convencer idosos a adquirirem tal serviço, mesmo que não precisem, ou que entrem no “vermelho” por conta deste. Esses estabelecimento utilizam da cordialidade e boa aventurança do idoso para o fazer sentir constrangido em recusar alguma oferta, e com isso, fazem continuamente novas vítimas de acordos que são bons apenas para as instituições.
Portanto, cabe ao Estado, criar um canal de denúncia à violência financeira contra o idoso. Atravês de canais de atendimento por várias vias, telefone, celular e internet, qualquer pessoa que presenciar um ato dessa magnetude irá emitir um alerta de irregularidade, e ,em seguida, será fiscalizado por uma equipe especializada. Neste mesmo canal serão dadas aulas e palestras sobre controle financeiro e dicas para não cair em golpes de pessoas mal intencionadas. Espera-se com tais medidas reduzir os casos de violência financeira contra o idoso, e fazer esse fatídico evento ser apenas elemento ficcional.