Violência financeira contra idosos
Enviada em 19/11/2021
Na obra ‘‘Memórias Póstumas’’, Machado de Assis discorreu sobre conflitos vigentes na sociedade do século XIX, sobretudo a obsessão pelo dinheiro em detrimento dos valores sociais. De maneira análoga à obra, na contemporaneidade brasileira, ocorre uma supervalorização dos bens materiais, uma vez que é constante a exploração de patrimônios de idosos sem autorização desses, o que configura a violência financeira. Nesse contexto, cabe analisar os fatores que intensificam a usurpação das economias de idosos, tais como o comportamento insurgente da população e a inoperância estatal.
Mormente, torna-se evidente a influência da conduta individualista contemporânea na exploração financeira. Sob esse prisma, conforme o sociólogo Karl Marx, a desvalorização do mundo humano aumenta proporcionalmente à valorização do mundo das coisas. Nesse viés, infere-se que o apreço pelo status econômico faz com que os indivíduos ajam de maneira negligente diante dos valores sociais e, por conseguinte, atendam apenas aos interesses particulares. Dessa forma, o descaso diante do bem-estar alheio intensifica as práticas exploradoras, sobretudo a manipulação desenfreada das economias dos idosos, o que os torna emocionalmente e financeiramente prejudicados. Assim, a conduta egocêntrica da comunidade intensifica a violência financeira.
Outrossim, é indiscutível a influência da inobservância governamental diante das atitudes exploradoras. Isso posto, segundo o filósofo Platão, o homem tente a cometer erros quando não há instrumento regulador. Sob essa análise, depreende-se que é de suma relevância a presença de mecanismos que controlem as falhas da sociedade, o que inclui o abuso dos bens econômicos dos idosos a fim de satisfazer interesses alheios. Entretanto, a escassez de ações fiscalizadoras e punidoras contra os abusadores facilita o acesso às economias dos pertencentes à terceira idade e, diante disso, torna-os ainda mais suscetíveis à exploração exacerbada. Dessarte, a ignorância do Estado intensifica a infringência dos bens econômicos da terceira idade.
Portanto, é imprescindível cessar a violência financeira contra os idosos no Brasil. Para isso, cabe a mídia, veículo da formação de opinião, instruir a população a respeito dos danos causados àqueles que tem os bens econômicos usurpados, por meio da ampla divulgação de campanhas, a fim de cessar o descaso diante dos prejuízos financeiros e psicológicos causados aos idosos. Além disso, cabe ao Ministério da Justiça, responsável por assegurar a defesa nacional, garantir o fim da invasão de bens, mediante o investimento em investigações e ações policiais nos bancos nacionais, com o objetivo de fiscalizar e punir os abusadores. Assim, os conflitos socioeconômicos relacionados à ganância excessiva serão restritos às obras de Machado de Assis.