Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 08/01/2021

Para Giorgio Agamben, o estado de excessão, isto é, a supressão de direitos em situações específicas, tornou-se cotidiano na vida de certos cidadãos, como os desprovidos do espaço público digno. Nesse viés, nota-se que cidades brasileiras são segregadas sob a ótica racista e classista, já que partes urbanas precárias são destinadas aos pretos e pobres. Logo, urgem políticas infraestruturais e assistenciais para mitigar o cenário hostil.

Nessa perspectiva, deve-se pontuar que, após 300 anos de escravidão no Brasil, o racismo segregacionista perdura, visto que as zonas urbanas mais degradantes como favelas e suburbios, por exemplo, são ocupadas majoritariamente pela classe preta ou parda. Afinal, conforme o site G1, cerca de 60% das moradias irregulares e com saneamento básico precário são resididas por esses civis. Diante disso, percebe-se que a cidade, como espaço de dignidade, não é para todos. Então, políticas de infraestrutura devem sem impostas para dar residencias apropriadas a esses brasileiros.

Além disso, vale ressaltar que a mentalidade classista está, há tempos, presente nas cidades nacionais. A esse respeito, insere-se a Revolta da Vacina que, em 1904, mobilizou populares contra o higienismo da época, pois a massa social foi expulsa das zonas privilegiadas do Rio de Janeiro e posta nas periferias precárias. Não obstante, a forma de continuar a excluir os humildes dos âmbitos residenciais de qualidade é por meio do alto custo desses locais. Em suma, auxílios imobiliários devem ser implantados para que esses brasileiros não sejam excluídos de bairros centrais e nobres.

Portanto, uma solução plausível para que a cidade seja digna para todos será a criação do projeto ‘‘Espaço Igualitário’’ pelo Ministério da Cidadania. Posto isso, com verbas federais, moradias regulares serão distribuidas gratuitamente aos pretos e pardos residentes de locais precários do Brasil. Desse modo, essa parcela social vai se cadastrar no site do projeto para receber o benefício, no fito de reduzir a ótica urbana racista. Ademais, a União vai viabilizar descontos de 50% nos imóveis para as classes mais humildes. Só assim, não haverá estado de excessão no espaço público.