Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 17/05/2025

No Brasil, os desafios relacionados ao uso excessivo da tecnologia são múltiplos e profundos, refletindo as transformações sociais aceleradas pela digitalização. No episódio “Nosedive”, da série Black Mirror, é retratada uma sociedade onde as relações humanas são mediadas por notas atribuídas por aplicativos, evidenciando a alienação provocada pela dependência tecnológica. Em consonância com essa realidade distópica, encontra-se a de muitos indivíduos, que, diante do uso desenfreado de dispositivos digitais, veem sua autonomia e relações sociais comprometidas. A convivência saudável com a tecnologia ainda configura um desafio a ser enfrentado.

Primeiramente, destaca-se a ausência de políticas públicas voltadas para o uso consciente da tecnologia. Muitos brasileiros utilizam os dispositivos digitais principalmente para redes sociais e entretenimento, o que evidencia um uso pouco crítico dessas ferramentas. Uma das principais causas desse cenário é a falta de educação digital nas escolas, que dificulta a formação de cidadãos conscientes sobre os impactos da tecnologia em suas vidas. Como consequência, cresce o uso compulsivo de aparelhos eletrônicos, afetando a saúde mental e a produtividade.

Ademais, a desigualdade social no Brasil impacta diretamente a forma como a tecnologia é utilizada. Crianças e jovens de baixa renda, muitas vezes sem acesso a espaços de lazer ou à educação de qualidade, acabam utilizando celulares e computadores como única forma de entretenimento e socialização. Essa realidade leva a um consumo passivo e alienante, no qual os dispositivos servem como válvula de escape para a falta de oportunidades. Essa exclusão digital qualitativa — onde o acesso existe, mas é pouco produtivo — aprofunda desigualdades e reforça a dependência tecnológica.

Portanto, para enfrentar esses desafios, é essencial que o governo implemente políticas públicas que estimulem o uso consciente da tecnologia. Isso inclui educação digital nas escolas, campanhas de conscientização e investimentos em espaços públicos com atividades culturais e de lazer offline. Assim, será possível promover uma relação mais equilibrada com as máquinas.