Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 16/05/2025
A dependência humana de recursos tecnológicos vem se intensificando nas últimas décadas. Em contraposição ao uso consciente desses recursos, percebe-se que tal avanço tem causado um preocupante vício em tecnologia. Desse modo, infere-se que a normalização do uso excessivo de dispositivos digitais e a ausência de edu-cação midiática nas escolas coadunam-se no agravamento do revés.
Diante desse cenário, é lícito pontuar a naturalização do uso abusivo de tecnologias como impulsionadora da problemática. A série distópica Black Mirror, da Netflix, ilustra com precisão os impactos negativos da dependência tecnológica, mostrando como as relações humanas podem ser substituídas por interações artificiais e im-pessoais. No entanto, a sociedade atual, muitas vezes, enxerga como normal o uso contínuo de telas, especialmente entre jovens, sem perceber os danos à saúde mental, ao sono e ao desenvolvimento emocional. Por conseguinte, o vício digital afasta o indivíduo da realidade, prejudica vínculos sociais e reduz a produtividade.
Outrossim, é necessário pontuar a ausência de orientação crítica sobre o uso da tecnologia como colaboradora do entrave. O filósofo Zygmunt Bauman, ao discutir a “modernidade líquida”, apontava que, na era da informação, tudo se torna passa-geiro e superficial — inclusive os vínculos e conhecimentos. Assim, sem uma for-mação adequada sobre os riscos e limites do mundo digital, crianças e adolescen-tes crescem sem ferramentas para lidar com o excesso de estímulos tecnológicos. Isso perpetua um ciclo de dependência e alienação, impactando o pensamento crí-tico e o senso de realidade. Consequentemente, formam-se indivíduos menos pre-parados para agir com autonomia e discernimento no mundo real.
Em suma, é imprescindível a tomada de medidas atenuantes para mitigação do en-trave. Logo, é necessário que o Ministério da Educação, órgão responsável pela for-mulação de políticas educacionais no Brasil, desenvolva programas de alfabeti-zação digital crítica e saúde mental nas escolas, por meio de parcerias com especi-alistas da área tecnológica e psicológica, a fim de promover o uso consciente das tecnologias e prevenir a dependência precoce. Dessa forma, os direitos assegu-rados pela “Constituição Cidadã” serão cumpridos.