Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 21/01/2021

O filme “Her”, lançado em 2013, conta a história de um homem que se apaixona por um sistema operacional com voz feminina e entra em crise ao descobrir que não era o único a ter contato com essa “mulher”. Essa obra põe em pauta a discussão sobre a dependência humana para com as máquinas, que é confirmada ao analisar-se o tempo de uso cada vez maior de celulares, computadores e internet e o consequente vício.

A princípio, é válido destacar que, nos últimos anos, as máquinas vêm tornando-se indispensáveis para o ser humano, seja para trabalho, lazer ou facilidade para a realização de atividades domésticas. No entanto, o tempo de utilização desses bens aumenta demasiadamente, o que prejudica os usuários em seus empregos ou estudos, visto que consomem muito tempo. De acordo com dados divulgados pela Agência Brasil, em 2019, brasileiros passavam, em média, 3 horas e 40 minutos utilizando aplicativos, fato que garantiu ao país a terceira posição no ranking de nações que passam mais tempo conectadas. Dessa maneira, evidencia-se que os brasileiros passam grande parte de seu dia utilizando tecnologias e, a longo prazo, essa prática pode transformar-se em dependência e prejudicar a vida do usuário nos mais diversos aspectos.

Em consequência do longo tempo gasto, diagnósticos de dependência tecnológica têm aumentado ao redor do mundo. Em 2020, ano em que enfrentou-se a pandemia de COVID-19, a população mundial precisou se isolar dentro de suas casas, fator que colaborou para o uso intensivo de redes sociais e jogos on-line. Segundo relatório de monitoramento do usuário do aplicativo “Moment”, os cidadãos visualizaram a tela do celular mais de 52 vezes por dia e passaram mais de 4 horas utilizando o aparelho. Esses dados são alarmantes, pois, isolada dentro de sua residência, a população procura na internet e nos jogos maneiras de distrair-se, porém isso acaba contribuindo para o desenvolvimento de um vício e, até mesmo, de distúrbios mentais, como ansiedade e depressão. Desse modo, constata-se que o período de distanciamento social é um dos agravantes do vício no uso de aparelhos eletrônicos.

Em suma, é necessário que o governo, mediante o Ministério da Educação, realize o envio de verbas para as instituições públicas de ensino, visando a contratação de psicólogos que acompanhem os alunos com tais problemas, já que muitos estudantes enfrentam essa situação e não têm condições de arcar com os custos da admissão do profissional. Além disso, a sociedade deve, por meio de redes sociais, exigir do poder público que realize planos de ação para a resolução da problemática para que a situação seja revertida.