Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 19/10/2020
Black Mirror, série produzida pela plataforma Netflix, é construída em volta de uma sociedade futurística, em que em cada diferente episódio é retratado os efeitos de um uso incorreto dos meios digitais. À vista disso, o nome da série representa uma crítica de seus criadores, em que o aparelho após desligado passa a ser apenas um “espelho negro” o qual o próprio indivíduo controla, não o contrário. Sob essa ótica, é imprescindível que a população se atente para as consequências do mau uso das tecnologias, visto que fatores como a crescente dependência e a falta de habilidade social estão se tornando comuns hodiernamente. Nesse sentido, por conta da ubiquidade das tecnologias esses novos aparelhos se tornaram indispensáveis no dia a dia do indivíduo, haja vista todas as facilidades e confortos proporcionados por alguns cliques. Diante disso, segundo Hannah Arendt, em seu livro “A banalidade do mal”, “o pior mal é aquele visto como algo corriqueiro e cotidiano”. Sob essa conjectura mecanismos, como os deliverys, as plataformas de filme online e as redes sociais simplificaram e otimizaram práticas habituais, como andar até um supermercado, sair para cinemas e interagir com outras pessoas. Em virtude disso, esses aparelhos são, cada vez mais, estimados e considerados essenciais, o que favorecendo o desenvolvimento de transtornos como a nomofobia e a ansiedade, além de uma tendência ao sedentarismo. De modo complementar, sabe-se que com a entrada das tecnologias na vida social do indivíduo ocorreram significativas mudanças tanto em seu comportamento, quanto costumes, hábitos e modos de se relacionar. Sob esse prisma, segundo Zygmunt Bauman, importante sociólogo, em seu conceito “modernidade líquida” apresenta o caráter insólito da sociedade atual, essa marcada por uma fluidez de valores e estruturas, em que as relações são efêmeras e flexíveis, tendo em conta que o sujeito moderno não cria vínculos reais feitos para durar. No que tange a isso, o próprio homem criou artifícios para evitar o desconforto conferido algumas experiências interpessoais, como restringir algumas palavras ou bloquear uma pessoa em suas redes sociais. Nesse âmbito a sociedade hiperconectada nunca esteve tão separada, dado que essa massificação das relações sociais tem resultado em um vasto conjunto de pessoas incapacitados no quesito habilidade social. Em síntese é necessária a adoção de medidas que atuem na problemática. Para tal, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as mídias sociais e televisivas, instruir a população acerca das consequências e riscos do mau uso das tecnologias, por meio de propagandas e campanhas, a fim de estimular o uso racional e correto dos meios digitais e, portanto, atenuar o quadro de dependência da população sobre eles. Ademais, o Ministério da Educação deve orientar toda a comunidade sobre os limites do uso dos aparelhos, por meio de aulas de educação digital e seminários recreativos abertos ao público, com objetivo de incentivar o espírito coletivo e apresentar a importância da interatividade social, em prol de uma sociedade mais consciente. Assim, se desvinculando do que é representado na série Black Mirror.