Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 01/09/2020
A internet surgiu no contexto da Guerra Fria, momento em que qualquer inovação tecnológica poderia contribuir na disputa liderada por duas potências de blocos ideológicos antagônicos. Nesse sentido, essa ferramenta tornou-se fundamental nas interações sociais e passou a intermediar as relações de modo que, atualmente, a maioria das atividades dependem das tecnologias. No entanto, é necessário discutir sobre os limites que devem ser impostos quanto ao uso do meio digital, uma vez que a utilização desenfreada causa vícios e corrobora no desencadeamento de transtornos psicológicos.
Convém analisar, inicialmente, que segundo Steve Jobes, empresário e inventor da Apple, a tecnologia move o mundo. Nessa lógica, a maioria das atividades realizadas hoje são intermediadas pela tecnologia, uma vez que alguns aplicativos empresariais, como bancos já disponibilizam serviços assistenciais onlines capazes de atender e solucionar problemas sem que o sujeito tenha que se deslocar fisicamente até os centros empresariais. Consequentemente, isso proporciona ao indivíduo contemporâneo uma necessidade de possuir o acesso à internet, uma vez que essa facilita a maioria das interações sociais, seja no ambiente de serviço ou escolar, por exemplo, visto que pesquisas científicas e documentários podem ser acessados virtualmente. Dessa maneira, o vício pode ser fruto, dentre outras causas, da comodidade e facilidade que as tecnologias permitem oferecem.
Outrossim, na cidade de São Paulo, o grupo de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria da Medicina da USP atende a grupos para tratar do distúrbio da dependência da tecnologia. Isto é, boa parte da população encontra-se inserida em um contexto no qual não é mais possível ficar sem internet, pois além de proporcionar comodidade, essa ferramenta possibilita uma vasta rede de comunicação. Nesse sentido, o vício causado pelo uso desenfreado das tecnologias, além de tornar a interação social física problema, pois cada vez mais nota-se uma tendência de sujeitos introvertidos que passam horas na frente de um celular, por exemplo, pode despertar crises depressivas ou de ansiedade.
Fica evidente, portanto, a urgência de medidas para impedir a dependência das maquinas e frear o vício causado pela tecnologia. Logo, é dever da Mídia auxiliar na conscientização da população a respeito do uso da internet por meio de anúncios, propagandas e rádios que encenem e retratem sobre as consequências de não limitar o acesso as redes a fim de conduzir a sociedade a refletir e controlar quando necessário a utilização das maquinas eletrônicas. Ademais, é dever do Ministério da Educação incluir na grade curricular dos adolescentes matérias voltadas à educação digital por intermédio de palestras e debates que encenem sobre como moderar o acesso as redes sociais com intuito de amenizar a dependência dos indivíduos na esfera virtual e desconstruir o vício em tecnologias.