Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 27/08/2020

No século XX, o matemático Alan Turing contribuiu para a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial e revolucionou a indústria tecnológica. Entretanto, o precursor da computação não imaginava que as ferramentas relativas a essa ciência seriam danosas às sociedades contemporâneas. Nessa conjuntura, o manejo dos atuais mecanismos informacionais está mais direcionado ao prazer individual e isso sabota os processos evolutivos sociais e particulares. Desse modo, cabe o fomento de reflexões abrangentes e mais eficientes acerca do tema em questão.

Em primeiro plano, é cabível dizer que os indivíduos utilizam despreocupadamente as modernas tecnologias, com enfoque no próprio prazer, o que dificulta a sua percepção sobre o mundo real. Nessa ótica, vale elucidar a doutrina filosófico-moral do Hedonismo, com a qual acredita-se que basilar o cotidiano com prazeres momentâneos é mister ao bem-estar coletivo. Contudo, é preciso que as pessoas compreendam que lidar de forma responsável e crítica com a realidade que o cerca, nesse caso, rodeada por tecnologias, é imprescindível à manutenção da prosperidade nacional e global. Portanto, conforme a filosofia de Zygmunt Bauman, é possível dizer que é vivenciada uma realidade incerta e líquida,  na qual a utilização indiscriminada dessas ferramentas propicia a despreocupação coletiva relativa aos rumos futuros, denotando a necessidade de se debater o tema.

Adicionalmente, é fato que a utilização não salutar de smartphones, e outras tecnologias, dificulta o desenvolvimento pedagógico e cognitivo intrapessoal. Nessa perspectiva, pode-se dizer que ocorre o processo de acomodação descrito por Jean Piaget, no qual o indivíduo perde o interesse pelo aprendizado sob a influência de fortes distratores. Somado a isso, percebe-se que os utilizadores dos aparelhos destacados ficam condicionados a uma neuroassociação positiva, restringindo o seu entendimento do que é mais benéfico para a própria evolução, por meio de uma dinâmica conforme a ótica do Behaviorismo, abordagem da psicologia. Dessa maneira, depreende-se que é preciso promover estratégias corroboradoras do protagonismo individual frente às novas tecnologias.

Por conseguinte, é pertinente debater a dependência tecnológica da hodiernidade. Destarte, faz-se necessário que órgãos internacionais de peso, como a Organização das Nações Unidas (ONU), fomentem discussões em âmbito abrangente sobre as fomas salutares de manipular a tecnologia tal como ela é atualmente, com o fito de majorar a autonomia da coletividade e manutenir a paz global. Isso pode ser feito por meio de conferências trienais temáticas, com a participação de cientistas especializados, contando com dados atuais, de modo multilateral e acessível. Outrossim, pode-se consolidar perspectivas mais sólidas e preocupadas com o futuro, de modo antagônico ao Hedonismo.