Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 25/05/2020

No Brasil foi criado o Instituto Delete, que funciona na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde que foi inaugurado, em 2013, o primeiro núcleo do país especializado em pesquisa, prevenção e tratamento da dependência digital. Nesse contexto, instituto como esse, faz-se presente devido as incidências de casos extremos de dependência do usuário por tecnologias, principalmente, as vinculadas ao uso da internet. Diante disso, problemas como a monofobia e o individualismo são crescentes na atual geração. Logo, faz-se preciso, portanto, discutir os aspectos sociais da questão no Brasil.

Primeiramente, é válido destacar que o problema deriva do psicológico do indivíduo que, nesse tipo de vício, sente angústia de ficar ‘’desconectado’’ sem acesso à internet. Nesse aspecto, a monofobia já descrita por Dan Herman, estrategista de Marketing: FoMO (Fear of Missing Out) o medo de estar desconectado. Ou seja, o sentimento constante de que deveríamos estar vivendo, sentindo ou tendo algo que não temos. Portanto, como qualquer outro vício, a fonofobia não apenas é prejudicial à saúde do indivíduo como também consome boa parto do seu tempo, pois cria a necessidade de estar conectado a todo o momento.

Outrossim, é fulcral pontuar que as novas tecnologias de comunicação são responsáveis pelo crescente individualismo do século. Sob esse viés, para o Filósofo Zygmunt Bauman, no século XXI, as relações interpessoais estão cada vez mais frágeis, o que ele chama de ‘‘conexões’’, ao denunciar o fato da rapidez de se fazer e desfazer uma amizade. Além disso, a busca por padrões aceitáveis no mundo virtual, é um dos fatores que corroboram para o individualismo, pois cria barreiras que impedem a aceitação de outros indivíduos. Dessa forma, as tecnologias digitais responsáveis por causar a dependência nos usuários, também é causa da fragilidade das relações sociais.

Em suma, é essencial que o Estado intervenha para que haja mudança desse quadro. Para tanto, cabe ao Governo, por meio de investimentos públicos, crie mais instituições, como o Instituto Delete, em mais estados brasileiros, principalmente nos centros universitários onde os jovens estão mais presentes. Espera-se, com isso, não só promover o tratamento dos casos de monofobia, como também de prevenir, pois tal instituto atuam, também, na prevenção de casos. Ademais, deve o Ministério da Educação implementar nas escolas a disciplina de Educação Digital, por meio das grades curriculares do ensino básico, a fim de garantir uma formação mais completa para conter o despreparo civil diante de tal mundo das tecnologias cibernéticas. Feito isso, o problema vivenciado será devidamente combatido.