Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 17/05/2020
Em um dos episódios da série “Black Mirror”, é retratado um cenário futurista, em que as pessoas são extremamente dependentes da tecnologia, a qual se porta como mediadora das ações humanas. De maneira similar à realidade, nota-se que o hodierno cenário global em nada difere do enredo ficcional citado, pois o vício em aparelhos eletrônicos é uma marca constante na sociedade contemporânea. Destarte, é fundamental realizar uma análise mais profunda acerca da importância da tecnologia no cotidiano social, bem como as consequências de seu uso abusivo.
Convém pontuar, de início, os benefícios que determinam a relevância da tecnologia para a sociedade civil. Sobre isso, é válido destacar as ideias do filósofo Marshall McLuhan, o qual previu o fenômeno da globalização, ocasionado pelo advento da internet e dos instrumentos tecnológicos, responsáveis por favorecem uma maior conexão entre os indivíduos, o que facilita o estabelecimento das relações sociais. Assim, a presença dessas máquinas constrói um novo mundo, onde as pessoas estão em contato rápido, fácil e contínuo umas com as outras.
Outrossim, é imprescindível salientar o vício decorrente do uso excessivo dos aparatos eletrônicos. Essa questão coaduna-se ao pensamento do filósofo Agostinho de Hipona ao afirmar que o indivíduo é escravo daquilo que o domina. Diante disso, fica claro que a sociedade moderna tem se tornado uma “escrava” da tecnologia, visto que as suas ações são mediadas por essas máquinas. Por conseguinte, percebe-se que essa atitude dominante reduz drasticamente a liberdade de cognição da população mundial, tornando-a menos crítica e inteligente.
Portanto, é perceptível que os seres humanos estão cada vez mais dependentes das máquinas. Logo, urge ao Ministério da Educação, de cada estado nacional, em sinergia com escolas e universidades, promover ações de conscientização sobre o uso da tecnologia, por meio de palestras interativas, debates e novas disciplinas acadêmicas capazes de tratar o tema de maneira crítica e aprofundada. Tal ação deve ser auxiliada por profissionais especializados no assunto, como psicólogos e teóricos da comunicação, com o fito de estimular a cognição das pessoas e combater o vício. Somente assim, o cenário de “Black Mirror” será apenas ficção.